terça-feira, setembro 20, 2005

As pessoas do ônibus.

Toda vez que vou para a USP, gasto 2:30h para chegar ao destino. Normalmente fico lá em torno de umas 4 h. Depois, mais 2:30h para voltar. É um pouco irritante. Percebi que o melhor a fazer é me educar durante o transporte, já que passo mais tempo fazendo isso do que estando na universidade.

Eu mal entro no ônibus já desenho um mapa mental de "de onde vêm" e "para onde vão" as pessoas todas que silenciosamente dividem comigo o tempo da ida e da vinda.

Hoje inventei o seu Lúcio. Homem trabalhador, seu Lúcio sai de casa às 5:47h da manhã e pega o ônibus para chegar ao serviço de vendedor em uma loja de móveis. Vende bem. Estão considerando seu nome para a gerência, mas seu Lúcio nem desconfia disso.

Ao lado dele está Irene. Ela está indo visitar a mãe no hospital. Nada grave, graças a Deus. Uma cirurgia simples e sem complicações.

No banco de trás está Consolação. Um filho no colo e mais três no chão. Ela dribla com desenvoltura qualquer multidão. Parou de estudar quando nasceu o filhão. Desce do ônibus e vai para a estação. Pega o metrô com o filho na mão. Ah, se tivesse mais informação! Inteligente ela é, preste atenção: Caminhe como ela sem desatenção; é preciso ter manhã, ir sem confusão. Ah, se tivesse mais informação... Onde estaria Dona Consolação?

De pé, olhando quase criminosamente, inventando vidas para as expressões efêmeras, um rapaz vai para a USP tentando se colocar em alguma parte entre passar pela catraca e arrancá-las todas. Em algum lugar entre sua imaginação e o que ocorre de fato entre tudo que é visto.

Muitos lêem. O tempo passa mais rápido na página de um livro.

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