segunda-feira, fevereiro 28, 2005

Um dia na vida de uma perda

Uma perda acorda cedo, meio que chorando pelo dia anterior. Não chora por ter perdido algo, mas por ter sido perdida, por ter feito perder. Gostaria, do fundo do coração, que o relógio do mundo batesse sempre a favor do encontro, para que todos fossem encontrando uns aos outros e a si mesmo mais e mais e cada vez encontrando mais vida, mais amores, mais tudo. O relógio do mundo, no entanto, bate em seu favor, porque depois do encontro vem sempre a perda.

A perda volta a dormir e acorda na hora do almoço. E quem perdeu se pergunta quantas vezes se pode perder a mesma coisa. A perda não sabe que toda vez que acorda se faz presente novamente. A perda, quem diria, se deixa encontrar, inconscientemente. Almoça com pena, pensando em algo que não sabe o que é, talvez saudade, mas nunca é.

Depois do sono revigorante pós-almoço, levanta disposta à noite. É aí, quando se prepara para sair e curtir sua vida de perda, que causa mais sofrimento. Sua alegria, seu esquecimento de que foi perdida, produz uma dor inaudita, gritos mesmo, silenciosos e longos. Verdadeiros uivos, esta é a verdade, de dor. Neste momento quem perdeu considera impossível perder tantas vezes a mesma coisa, e perde finalmente a esperança do reencontro.

Até que a perda acorda cedo...

sábado, fevereiro 26, 2005

Parede... vidro... película...

Estou acessando algumas áreas da minha mente potencialmente perigosas...

Sei lá o que me manteve afastado delas. Aparentemente carência. Meu crescente amor próprio, vejam só, está me levando para ruas diferentes, pelas quais eu passava pela frente sem perspectivas.

Uia!

Vejamos se a película vai romper e um mundo mais louco vai saltar à consciência.

quinta-feira, fevereiro 24, 2005

Recordações

Esta semana foi de recordações. Começou no sábado, na festa de despedida da Nina. Fui egoísta. Antes de pensar na partida dela para a terra dos sonhos, pensei na minha partida para a terra das cinzas. Saudade da cidade, saudade dos amigos, saudade de conhecer os arredores como a palma da mão. Então, saudade da Nina, que se tornou minha amiga rapidamente. Uma danada que está saindo da ilha para ser feliz. Vá em paz, guria.

Domingo, saudade do antigo apartamento, daqueles molequeles loucos e suas invenções. Saudade boa, pois estou muito bem instalado, mas saudade.

Não parou. Todos os dias da semana, saudade. Saudade de um povo da Psicologia que não vejo há tempos; amigos surpreendentes e inesperados.

Saudade da dona do Elba vermelho, tão linda, tão sorridente, tão para frente sempre. Saudade do dia em que descobrimos que conseguíamos conversar; veja só! Saudade das ligações tímidas "não estamos exagerando?". Talvez estivéssemos.

Saudade do ano passado, de janeiro, começo de fevereiro. Saudade de um setembro quente e cheio de esperança.

Saudade de mim, por que não? Tão mutante, que nem me lembro quem eu era ontem. E hoje já está se esvaindo; o que serei amanhã? O sentido não muda: cada vez mais duro, cada vez mais suave. Uma fortaleza de peças flexíveis.

Saudade de não gostar de ler. Saudade de ser um esportista, crescendo. Esta eu mato, equilibrado.

Saudade infinita da manhã de hoje, na cozinha. Pink Floyd, Mutantes e risadas; delícias no fogão. Cozinhar para si é prova de amor próprio. Cozinhar em grupo, ouvindo música e conversando é manifestação de carinho e consideração.

Saudade de tomar cerveja com você. Ligue para mim e colocaremos na mesa as boas recordações.

terça-feira, fevereiro 22, 2005

Limão

Acho que vou começar a temperar tudo com limão. Algumas coisas antes de prontas, outras depois.

Limão também na tequila.

Azedinho.

Limão é realmente uma fruta cheia de possibilidades. Limonada, então?

De vez em quando, à noite na cama, eu penso em coisas; sou eu sozinho, que cama grande! Deveria dormir.

sábado, fevereiro 19, 2005

Não resisti 1 e 2

NÃO RESISTI 1 - A cena do anjo torto do Drummond

Quando eu nasci., um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: "você que é o Carlos?"
Não, senhor. Sou o Robson.
"Ah, tá..."
Algum recado para mim?
"Hmm... não".
E se foi.


NÃO RESISTI 2 - Criticar (pois eu odeio criticar, apesar de adorar)

Algumas pessoas têm cérebro. Comecei mal. Todas as pessoas têm cérebro. Algumas pessoas têm cérebros que vagaram muito pelo mundo e pelas situações, e percebem uma realidade ampla. Outras pessoas têm cérebros que se conformaram com um punhado de percepções e julgam o mundo todo, todinho, com base em duas ou três idéias.

Não é problema meu, não é mesmo? Ah, mas não é problema meu até que uma dessas pessoas me encha o saco. Ao vencedor, as batatas? Disso não sei, mas sei que ações têm reações.

Estava eu, bem na minha grande paz, realizando coisas divertidas (e, pior, lícitas) quando a voz da inquisição me olhou com aqueles dentes afiados, apontando o dedo da culpa para mim. Quase engoli o dedo, de surpresa, sem mostrar caninos. E aquela pessoa tinha na postura uma razão tão cega, que fui ficando com pena, muita pena, e foi assim que abrandei a raiva. Não comi o dedo de ninguém. Pena que não lê o blog, a criatura.

Essas situações sempre me alertam. Eu posso estar olhando os outros com dentes afiados sem perceber que o faço. Medo de fazer isso, muito medo. É por isso que sempre me pergunto antes de dormir: "Oh, meu caro Robson, tens sido um babaca, tens?"

E me conserto. Ou tento.

sexta-feira, fevereiro 18, 2005

Felicidade estranha

Estou sentindo uma felicidade estranha. Eu posso até imaginar de onde ela vem, e mesmo assim ela me parece estranha. Quase quero que ela vá embora, pois não consigo aceitar esse bem estar misturado com desconhecimento.

Estou apegado a tudo, mas não me sinto apegado, pois sei que um dia vai acabar, mas que não vai acabar agora.

Não sei definir melhor. É felicidade. E é estranha. É boa. E é um pouco desconfortável.

quinta-feira, fevereiro 17, 2005

Provocando a Psico Inquisição

Há diversas teorias "psicológicas". Muitas delas não são Psicologia de fato. Algumas são Filosofia. Outras são Medicina. Ainda há as que são Fisiologia. Certas mais parecem Arte. Todas sob o mesmo nome, assim como o verde e o amarelo são denominados cores. A diversidade não é negativa em si; negativo é o fechamento dos profissionais dentro de cada uma dessas facetas da Psicologia.

Refletindo, cheguei à terrível conclusão de que a maior parte de Psicologia é ficcional, como são ficcionais belos romances. A diferença fundamental é que os escritores sabem que fazem ficção.

Agora a psico inquisição vai me caçar. Quer criticar a torto o feio, amor, que venha, pois eu sei que guardar a ferro, amor, é lenha!

Não se desesperem, porém, irmãos. Há muitos psicólogos muito bons, que fazem da zona uma sábia união e ajudam a todos com amor e paixão. E são ainda melhores os que não escrevem prosa com rimas. Aconselho que procurem os bons profissionais, é fácil reconhecê-los: eles ficam longe do existencialismo e das estruturas imutáveis de personalidade. Eia!

Agora eu morro queimado... Ou me retrato, como fizeram muitos há muito.

quarta-feira, fevereiro 16, 2005

Os bárbaros invadiram novamente

Ontem eu revi o filme "As Invasões Bárbaras", uma obra mais do que boa. Depois de rever o filme eu tomei a decisão de comprá-lo. Antes de fazer isso preciso comprar um aparelho DVD, pois quero o filme em DVD. Então me ajudem. Eu nunca pediria para vocês me comprarem o filme, seria sacanagem. O que quero que vocês façam é me presentearem com um aparelho DVD. Valeu, amizade.

Um dos motivos para eu ter alugado o filme novamente foi copiar a letra da música que o termina. A música é em francês, mas está devidamente legendada em português.

Não consegui descobrir o nome da bendita música. Os créditos estavam ilegívei.

"Muitos dos meus amigos vieram das nuvens
Com sol e chuva como bagagem.
Fizeram a estação da amizade sincera,
A mais bela das quatro estações da terra.

Têm a doçura das mais belas paisagens
E a fidelidade dos pássaros migradores,
E em seu coração está gravada uma ternura infinita,
Mas, às vezes, uma tristeza aparece em seus olhos

Então, vêm se aquecer
Comigo.
E você também
Virá.

Poderá retornar às nuvens
E sorrir de novo a outros rostos,
Distribuir à sua volta um pouco da sua ternura
Quando alguém quiser esconder sua tristeza.

Como não sabemos o que a vida nos dá
Talvez eu não seja mais ninguém.
Se me resta um amigo que realmente me compreenda
Me esquecereu das lágrimas e penas.

Então, talvez
Eu vá
Até você aquecer
Meu coração com sua chama."

domingo, fevereiro 13, 2005

A verdade sobre a impossibilidade da verdade

"...morte morte morte que talvez seja o segredo desta vida..."
Raulzito, Canto para a minha morte

Eu tenho um amigo J que acredita em Deus, e especialmente em Jesus. Meu amigo B é budista e sempre comenta com meu amigo J que sua religião já fazia paz na época em que Deus punia com mortes horrendas. Minha amiga C é exageradamente cética e mal acredita no próprio reflexo; não perde a chance de espezinhar meu amigo B dizendo que nenhum príncipe deixaria seu reinado para virar mendigo. Minha amiga M acredita em espírito e em Gaia e tenta fazer minha amiga C entender que ela não está abrindo toda a sua percepção e desse modo nunca poderá encontrar a verdade. Meu amigo A tem por certo que só o amor é realmente puro e que é somente baseado nele que a vida pode ser desfrutada. Minha amiga F zomba do romantismo do meu amigo A, lembrando que é a força que tem o poder de construir. Meu amigo E olha para todos com superioridade, afirmando que a realidade é percebida e, sendo a percepção humana, sempre condicionada; ou seja, cada um tem uma realidade.

Todos uns bêbados, uns viciados em verdades. Um dia vão acabar, e então as perguntas serão respondidas. Ou não. Até lá eu vou variando, inventando uma realidade para cada situação. Assim é mais gostoso. A vida tem que ser pura alegria divertida.

O mundo
Não é preto, nem banco, nem azul, nem verde, muito menos cinza.
O mundo é na verdade
Do preto mais denso,
Do branco sem manchas
Do azul tom de sonhos,
Do verde acampamento,
Do cinza concreto, uma bela mistura.

PS: Este é o tipo de texto que nega a si mesmo. É como usar palavras para dizer que palavras não comunicam com perfeição. Infelizmente, ainda são os meios que temos, esses.

sábado, fevereiro 12, 2005

Kiss

Reza a lenda que o nome do grupo de rock KISS é abreviatura da cândida frase: Knights In Satan´s Service. Se é verdade ou não, perguntem para o Paul dos Beatles. Mas para o verdadeiro e não para a imitação que o substituiu depois que ele morreu em um acidente.

Mas tergiverso...

Quero falar mesmo sobre Kiss, sobre beijo, ósculo, saca?

Mentira, não quero falar sobre isso, não. Falar não tem graça.

sexta-feira, fevereiro 11, 2005

Algumas palavras sobre envelhecer

Eu sou um paradoxo. Eu tenho medo de envelhecer, mas não me cuido nem um pouco para amenizar o futuro golpe. Porque talvez o futuro golpe do envelhecimento não ocorra, e eu tenho ainda uma fagulha "carpe-dien-ana" que me faz querer mandar tudo à merda e me divertir até cair.

Caso chegue, o envelhecimento vai chegar intenso para mim. Sem pressa, do jeito que ele vem mesmo, só que mais pesado e sem nenhuma possibilidade de adiamento. Creio que aos 50 anos eu vou estar na pior. Se eu não morrer vítima de um escorregão na escada, viverei muito anos. Cada vez com o corpo mais fraco, o que é altamente horripilante.

É do corpo que eu tenho medo. É meu corpo que tem probabilidade de definhar, minha mente não. Claro que corpo e mente são a mesma coisa. Claro também que o físico Hawking continua muito inteligente, apesar de ter um corpo não muito útil. Então,estando minha mente salvaguardada por leituras e questões irrespondíveis, falta guardar o corpo. Coisa que confessadamente não farei com muito afinco.

Não é que eu abuse. Eu não uso drogas pesadas (atualmente muito pouco álcool, apenas), nem fico dias sem comer (pelo contrário), nem sou um sedentário completo (pratico meu futebolzinho, caminho bastante, de vez em quando pedalo bastante). O problema é a comida. Eu não fico sem comer, mas só como porcaria. E comida é tudo, minha gente. Se você só come porcaria, você é uma porcaria. Seu organismo é obrigado a se desdobrar para manter a homeostase. Você se transforma em um festival de substâncias grotescas corroentes e corroídas.

Eu tenho um defeito: eu não engordo. Isso é uma qualidade para alguns, mas para o meu estilo de vida é um defeito. Não engordando, vou achando que está tudo bem entupir as artérias com gordura. Meu avô morreu por questões dessa natureza, meu pai não é um exemplo de saúde coronária, e eu sou semi-careca (e está provado que carecas têm mais problemas de doença do coração). Como, como porcaria e meu corpo continua exteriormente como sempre foi. Se eu engordasse, saberia que eu estou exagerando.

O problema é que mesmo não engordando eu sei que estou exagerando. Pergunta se eu vou parar. Não vou. Venha a mim toda a comida gostosa. Comer é um prazer fabuloso e eu não vou trocar este prazer por um futuro que nem sei se vai existir. Irresponsável? Na sua opinião, talvez. Na minha, esperto. Você é cuidadoso? Concordo, mas será que se diverte tanto?

Eu tenho outras maneiras de cuidar do meu corpo. Eu não tomo remédios. Isso sim é manter a saúde. A última vez que tomei remédio foi no início do ano passado. Antibiótico por causa de procedimentos dentários. E mesmo os antibióticos eu larguei antes do tempo; não me sentia bem os ingerindo. Irresponsável? Na sua opinião. Deixe eu contar um pouco sobre os mecanismos de defesa do meu organismo.

Há muito tempo atrás, mais de cinco anos, eu fiz um curso de Psico-Oncologia. O ministrante do curso não era um profissional respeitável; ainda assim, falou algo que ficou para sempre na minha cabeça. Um dos exercícios que o psicólogo devia incentivar os doentes a fazer era o de imaginar que a doença eram pequenos seres combatidos ferozmente por outros seres, nossos mecanismos de defesa. É sabido que a redução do estresse ajuda no combate às doenças. É provável que a elevação "da alegria e da esperança" do organismo cause efeitos benéficos. Sempre que estou doente imagino essas lutas de pequenos seres. Eu sempre venço.

Eu estou com gripe desde terça-feira. Sei que é gripe porque os resfriados passam por mim em um dia e vão embora no outro. A gripe não me debilita. Gripado, continuei saindo à noite, de dia, jogando futebol e o que mais vier, eu topo. Hoje estou muito bem, apesar de ter corrido atrás da bola de manhã. Não foi meu melhor desempenho, mas foi um desempenho padrão. Amanhã estarei melhor e assim a cada dia, sem remédio, sem preocupação, sem me privar do que quero fazer. Uma beleza de organismo, devo dizer. Já me curei de uma possível intoxicação alimentar sem ajuda. Foi depois de comer uma torta de limão (até hoje não posso ver esse troço). Se foi intoxicalção alimentar mesmo eu não sei. O que sei é que foi tudo bem feio, mas fiquei curado em dois dias. Uma verdadeira beleza de organismo, repito.

Tenho medo que isso acabe. O envelhecimento faz isso por você. Sinto, já, minha visão piorando. Culpa minha, que leio demais e forço meus músculos oculares a serem grandes campeões. Eles estão perdendo a força. Eu posso sentir. Meu joelho esquerdo também não é mais o mesmo, ele dá sinais de vida bem estranhos de vez em quando. Nenhum problema que me impeça de fazer o que quero, mas já demonstrações de um futuro corporal nada promissor.

Eu combato meus temores da velhice focando no sucesso da minha mente. No fim, essas preocupações são irremediavalmente irrelevantes. Eu sempre tive medo da próxima fase da minha vida, e até hoje tenho me adaptado com um sucesso razoável. Se não me adaptei a algo foi por que não quis. Não quero mesmo me adaptar a tudo, senão deixo de ser quem sou. Nem tudo é válido nessas novas fases da vida, isto é verdade.

Se a velhice vier, eu vou vencer. Mas tenho medo mesmo assim. Vencerei, mas primeiro vou me agachar assustado. Sempre achei mais bacana se superar do que lidar com tudo facilmente. A nota 10 na prova é mais gostosa depois de muito estudo. Ganhar a nota máxima sem se esforçar faz desconfiar do professor.

Ouçam "O Velho Francisco", música de Chico Buarque. Fala sobre envelhecimentoi. "Já gozei de boa vida"..."Vida veio e me levou".

quinta-feira, fevereiro 10, 2005

Chega de Carnaval. O texto que seriam 3, será apenas aquele já publicado. O carnaval acabou e quem curtiu, curtiu; quem não curtiu, azar.

Meu computador quebrou. Agora além de estar sem internet, estou sem computador. Se o papel acabar, minha vida acaba junto.

Estou sem disposição para grandes reflexões. Meu corpo está debilitado por uma gripe horrenda, o que acaba por afastar meus pensamentos de tudo que não seja descanso, achocolatado gelado, sono e achocolatado gelado. Eu já combinei com meu organismo que ficaremos curados até sábado, sendo que os sintomas apareceram na terça à tarde. Ele me disse que é uma data justa, visto que não ingiro químicos farmacêuticos para fins medicinais.

Ainda assim vou ao cinema. Se você quiser ir, encontre-me na frente dos odiosos cinemas do shops Beira-Mar às 19:00h. Não sei o que vou ver. Quero ver "Closer". Porque eu coloquei na cabeça que a Julia Roberts é a Nicole Kidman, e é sempre bom ver a Nicole Kidman em um filme, ainda que ela esteja disfarçada de Julia Roberts.

Achocolatado gelado, aí vou eu.

quarta-feira, fevereiro 09, 2005

Carnaval "Alegria Divertida" - parte 1/3

Meu carnaval foi pura alegria divertida.

Dizem que as festas de carnaval começaram na sexta. Sei lá. Eu lembro que compramos cerveja pelo S.O.S. cerveja e ficamos jogando dardos até perto do amanhecer.

Sábado fomos para o Centro, eu e dois amigos. Estávamos bêbados. Foi o dia em que mais bebi. Aconteceu muita coisa engraçada. Todas as gurias da psico que encontramos, e não foram poucas, jogamos para cima. Corremos, alguém deve ter caído, sei lá, passamos vergonha e, sobretudo, rimos. Pura alegria divertida.

Domingo cedo estávamos na BRIÓI (BR 101) a caminho de Laguna. Não posso perder o trocadilho cinematográfico, sou obrigado a dizer que estávamos com uma saia na mão e nenhuma idéia na cabeça. Sim, nos vestimos de mulher. Só coisa chique. Sim, eu tenho fotos. Não, eu não vou publicar. Quem quiser ver vai ter que ver no computador da minha casa. Nós somos putas caras.

No segundo capítulo eu falo da experiência.

sexta-feira, fevereiro 04, 2005

Um grau de inclinação

Hoje, quando acordei, percebi que meu mundo estava inclinado em um grau. Não me pareceu algo notável a princípio, mas rápido raiou o pensamento de que talvez o mundo comece a inclinar um grau por dia a partir de agora.

Se isso realmente acontecer, em menos de 30 dias eu já teria que tentar manter o equilíbrio a cada passo. Ao fim de três meses eu teria duas opções: viver segurando as bordas do mundo ou aprender a andar em paredes. Creio que não é um tipo de vida possível. O que aconteceria quando a inclinação chegasse aos 180 graus, lá para agosto? Será que eu poderia subir em cima do outro lado do mundo? É isso, cair ou andar no teto.

Por outro lado, tudo seria sempre diferente. Se bem que isso não é uma vantagem, pois tudo já é sempre diferente. Ah, mas vejam, são suposições demais. Tudo isso aconteceria se o meu mundo continuasse a inclinar. Pode ser que pare neste um grau.

Carnaval não terei computador. Amém.

quarta-feira, fevereiro 02, 2005

Um texto de amor

Amei uma vez, uma vez apenas, o amor de um homem por uma mulher. Todas as outras foram momentos fugazes. Não posso dizer que não amo mais. Em nenhum momento tive motivos para deixar de amar.

Amei esse amor de um homem por uma mulher. Um amor que mistura tesão, desejo de estar junto, de cuidar, de ouvir, de embalar no colo, de não deixar ir embora nunca, de chorar, de deitar, de aplaudir, de beijar e beijar e verter lágrimas juntos e comemorar juntos e transformar a vida em um passeio embalado por carinho, sexo e admiração!

Eu amo. Amo e não tenho; não há dor pior do que não ser amado de volta. Querer tanto alguém que não virá... No mundo, saber que toda essa comoção é só mais um caso de amor, mais uma pessoa entregue a algo que nunca poderá compreender.

Vejo em tudo uma beleza minúscula, uma tentativa vã de chegar ao prazer total do amor.
Mas hoje aquele amor é menos que uma lanterna, é apenas uma lembrança boa. Não é algo que guie ou ilumine, mas um marco que mostra até onde se pode chegar. E é, pulsando.

O mais incrível é que a vida é maior do que o amor. Maior que o mesmo amor que a torna gigante e, quem sabe, dá-lhe sentido.

Quero. Quero sim.

Na próxima sexta, dia 4, vai fazer exatamente um ano que beijei pela última vez esta pessoa que me fez sentir o amor romântico! Um ano... e a lembrança continua viva, talvez mais do que nunca.