quinta-feira, março 31, 2005

Como é que é?

Sábado último experiência estranha tive eu.

Sabe quando você está muito empolgado e bebe tanto, mas tanto, que quando você acorda no outro dia fica se perguntando como é que podem 12 horas terem desaparecido da sua mente? Pois é...

O pior é quando você tem amigos bem amigos que ficam mentindo para você, dizendo que vocês fez coisas mais loucas do quando voou pela cachoeira em algum sonho bem passado. Pois é...

Somando os relatos, eu já consegui montar 30% da minha noite. Os outros 70% já não importam mais, já passaram. Pois é...

O mais incrível, no entanto, é o poder do esquecimento. Eu não me arrependo de nada, seja lá o que eu tenha feito, e não devo nada a ninguém. Pois é...

Eu não sei o que aconteceu, mas sei dos efeitos sobre meu coração. Depois de ter colocado para fora (eu não vomitei) tudo que eu tinha para colocar, no domingo eu fiquei em casa em forma latente. Segunda-feira acordei mais chateado que lombriga de boi nordestino. Finalmente, na terça-feira tudo de ruim foi embora até... até sei lá quando.

Então, viva os dias bons. Que sejam longos e se reproduzam.

quinta-feira, março 24, 2005

Suspensão

Parece que não é, e na realidade não é, mas a vida é dividida em fases, mesmo não sendo. Elas não existem, e ainda assim existem de maneira didática, ainda que não seja possível entendê-las. É como deus, que existe em mente, em ações, em construções humanas, mas na realidade não passa de uma idéia. Uma boa idéia, por sinal, como a de que deus não existe. Como tudo: boas idéias.

Entre estas fases há conteúdos, de apego forte a alguma idéia, a alguma pessoa, a alguma situação. São intensas e passageiras. Têm a beleza de criar amor, paixão, de levar ao gozo e ao sofrimento supremo. O conteúdo humano é absolutamente fantástico e inefável. É puro estremecimento!

Existe um buraco em meio às fases. Um buraco que ocorre em quem é capaz de tocar com algum sentido, ou mesmo algum pensamento, um infinitésimo do universo. No mesmo momento compreende-se a pequenez e gigantismo humano e tudo ganha e perde o sentido um milhão de vezes em um suspiro. Tudo fica suspenso. Alguns esquecem. Outros não.

Fazer tudo ou fazer nada é a mesma coisa. Ser feliz ou infeliz é a mesma coisa. Viver hoje ou não viver é a mesma coisa. O que é essa coisa? Tudo fica suspenso. O que fazer se tudo vale nada e nada vale tudo? É a inocência corrompida, é o poder corrompido, é o conceito corrompido, é a decepção corrompida, é o animal corrompido. É suspensão.

É tudo ridiculamente a mesma coisa.

Talvez o oceano volte rápido à onda na praia...

segunda-feira, março 21, 2005

Sem nada a dizer

BURP!

CRASH!

SOC!

TUIM!

POW!

Batman! Tananananan! Batman!

PS: O "Burp" foi de Homer Simpsom em participação especial. Homer, o personagem mais amado do mundo! Homer, o que come rosquinhas! Homer, o amante da televisão. Homer, o pai do Bart! Bart rules! Todos querem ser como Bart! Bart tem as manhas. Bart fuckin rules!

quinta-feira, março 17, 2005

Vida e Obra Decadente da Vida Agora

Veículos de comunicação de massa espalham rápido.
Como seria viver há vinte e sete séculos atrás? Teriam essas pessoas uma percepção de caos como a que tenho hoje?

Está tudo ao alcance dos olhos e dos cliques:
Pessoas assassinam filhos e pais e mães e irmãos. Rouba-se aqui e ali e lá e acolá. As estradas quebram, os motoristas bêbados. Adolescentes espancam. O sexo deixou de ser livre e se tornou obrigatório. Todos os sistemas estão em pane; perigo, perigo. Nada é feito como antes? Subverte-se o tempo todo, porque subverter... é... porque... ãnh. "É a pior fase que 'a profissão, o local, a família, a escola, a empresa, o estado, o país, a alma, etc, tudo' está vivendo". Esta última é a frase mais falada e ouvida destes tempos.

Confrontando o eu com o outro é fácil entender. Pensa-se no eu, esquece-se do outro. É mais do que falta de base moral, é percepção real. Não se sente pelo outro, não se vê o outro. Roubar fica fácil. Desviar milhões dos cofres públicos não gera culpa. Enfiar a arma na cara de um menino e apertar o gatilho é banal como sentar à TV. A voz do outro é apenas um barulho. É preciso eu vencer, eu divertir, eu subir, eu conquistar, eu provar.

Nasce nasce nasce gente. Não pára, não pára, não pára, não, até o chão. Quanto mais gente mais desemprego, mais miséria e competição. Sejamos livres para nos reproduzirmos até o fim do oxigênio!

Está mais fácil controlar. Está simples se apegar.

Caiu.

terça-feira, março 15, 2005

Por cima do mundo

É complicado.
Estou na minha fase romântica e a principal caracterísitca dela é não ser nada romântica. Minha vontade de demolir estruturas é infinitamente poética! Meu desejo de recriar conceitos é de uma harmonia chorosa! Meu amor pela crise em troca de renovação é puro!

"Faz o que tu queres, pois é tudo da Lei. Da Lei"

De um dia para o outro vou para São Paulo em menos de 6 meses, comecei a cursar a disciplina de ética e aumentei minha carga horária em 100%. Tudo isso para me formar no fim deste semestre ou começo do outro. Estou indo embora de Floripa.

Há muitas razões que me levam daqui. A principal delas não está totalmente formulada pelo meu consciente, mas o que ele me contou, soprando no meu ouvido, é que eu consegui conquistar o que eu mais queria quando saí de São Paulo. Agora, com isso emaranhado no meu ser, posso voltar e me elevar aos céus.

Como eu disse no texto "Ir?", aceito o desafio de achar um muro branco em sampa para me pintar nele de vermelho. A resposta ao texto "Ir?" é "Sim".

Os manézinhos podem comemorar mais essa evasão paulistana, mas sei que a Ilha vai chover dez dias. São Paulo vai chover também; chuva radioativa: guarda-chuva que fura.

Muitas despedidas. Daqui até a hora de ir embora começo a sentir saudade, começo a ver tudo novo, tudo primeira vez.

Que seja!

segunda-feira, março 14, 2005

pópó mómó

Pós-modernismo é foda. Este termo foi tão lido, ouvido, assistido por mim nos últimos tempos que minha cabeça se desfragmentou, ou seja, tornou-se uma só unidade que grita dúvida.

O pópó mómó, nome carinhoso ao pós-modernismo, é tudo que você vê hoje, com exceção daquilo que se vê. Porque tudo é igualmente inválido na sua tênue validez condicionada. E o que é agora não é mais o que era e pronto.

Se fosse possível, neste momento passaria um filme sobre uma estátua cantando uma música. Ela vestiria chapéu de cowboy e roupas gregas. A voz seria heavy, mas a música lembraria a dos aborígenes. Depois isso seria reproduzido infinitamente e vendido com um rótulo chamativo a um preço que não tem sentido.

Pópó mómó é abrangente demais em sua desmensuração.

sexta-feira, março 11, 2005

Ir?

Quero ir embora. De Floripa. Sei que ir embora vai ser difícil, que mais difícil vai ser me readaptar a São Paulo, que ainda mais difícil vai ser andar sem meus amigos daqui. Mas quero ir embora. Sinto que Floripa encolheu, ou cresci. A ilha da Magia já exerceu sua mágica sobre mim, e o efeito vai perdurar. Agora preciso me pintar de vermelho em uma parede branca de São Paulo. Aceito o desafio de procurar uma parede branca em São Paulo.

O que mais me impulsiona a partir é a voz besta que me diz que meu lugar é aqui. Meu lugar é qualquer lugar, voz idiota! Não tente me desanimar.

Ir embora vai ser minha redenção, uma libertação incrível do paraíso: quero o mundo real das sombras. Quero cultivar mais um mundo.

quarta-feira, março 09, 2005

Não muito

Sentou-se. Observou. Esperou muito tempo. Mais de doze horas olhando o horizonte.

Tudo estava como antes: o sol desceu, se pôs. Depois nasceu do outro lado, mágico.

Era possível continuar. Era sim.

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A letra da música "Time" do Pink Floyd é uma coisa absolutamente mega fodaça. Eis o meu trecho preferido (que é quase metade da música):

"Tired of lying in the sunshine staying home to watch the rain
And you are young and life is long and there is time to kill today
And then one day you find ten years have got behind you
No one told you when to run, you missed the starting gun

And you run and you run to catch up with the sun, but it's sinking
Racing around to come up behind you again
The sun is the same in a relative way, but you're older
Shorter of breath and one day closer to death"

terça-feira, março 08, 2005

O pássaro (azarado?)

Ontem, enquanto assistia o depressivo e ansiogênico "Jornal Nacional", lembrei de algo que vi há algum tempo. O que ativou minhas recordações foi a notícia de que o Chorão atropelou três ciclistas. Eu ando de bicicleta. Lembrei do pássaro (azarado?).

O pássaro foi executado na frente de milhares de expectadores durante um jogo de beisebol. Eu vi as imagens no programa Late Show with David Letterman, na época em que eu tinha isso de TV a cabo. Um dos mais conhecidos arremessadores americanos, conhecido por seu tiro potente, lançou a bola a uma velocidade incrível, com o intuito único de causar um strike no seu patético adversário... É aí que entra o pássaro, que fez o último rasante da sua vida. Ele (azarado?) conseguiu a proeza de ser acertado pela bola. O que a câmera mostra são penas voando para todos os lados. Imagino que o pássaro tenha se reduzido a uma pasta dismorfe. Azarado?

Ele devia ser um mau pássaro e Deus o puniu com uma morte estúpida, a mais acidental possível. Talvez ele já tivesse cumprido sua missão na Terra e era hora de se tornar puro espírito. De repente ele foi apenas um sinal para o arremessador parrudo abrir o coração. Ou então, o que é muito mais provável, ele participou de uma conjunção imutável de fatos que não foi a melhor para a vida dele. Se o pai do arremessador não o tivesse estimulado a praticar beisebol, o pássaro estaria vivo; nada aconteceria se o pássaro não tivesse percebido aquela comida no chão do estádio... Muitos outros fatores contribuíram para aquele momento; poderia enumerá-los à exaustão.

Se o pássaro tivesse sobrevivido, ele deixaria de voar baixo? Se ele tivesse visto um amigo dele sendo desmantelado por uma bola em alta velocidade, ele deixaria de voar baixo? Claro que não! Um pássaro está aí para voar, alto ou baixo. Tudo que ele pensaria (pensaria?) seria: "pois é... que foda, né? quase perdi uma asa, mas dá nada... amanhã voarei novamente".

É por isso que vou andar de bicicleta todos os dias em que tiver vontade. Não há Deus nenhum mirando minha cabeça. O que acontece está além de qualquer poder. Claro que eu posso mudar algumas probabilidades, mas isso não ajuda muito. O pássaro morreu em uma conjunção de fatores mais improvável do que acertar sozinho a Mega Sena. Eu ando de bicicleta, sim, com a consciência totalmente clara de que tudo pode acontecer. Não é paranóia, não. Não se trata de pedalar com medo, ou com desconfiança. Pedalo à vontade em direção a qualquer fato.

Não há momento errado em hora errada. E azar é um nome que se dá a uma relação desfavorável com a sequência imutável dos fatos.

domingo, março 06, 2005

Passional?

Pedro matou Joana. Não sabe dizer por quê. Chegou em casa de um dia cansativo no trabalho. Tinha o problema típico dos que não gostam do emprego e o enfrentam maquinalmente: mais inconsciência do que pensamento. Joana estava sentada lendo algum daqueles livros que Pedro não compreendia. Depois de matá-la ele abriu o livro. Estava escrito algo que ele não terminou.

Cumprimentou-a com um beijo no pescoço. Passou a mão por seus braços. Ela ficou arrepiada, do jeito que ele gostava. Ele estava mentindo. Ela o envolveu como pôde. Beijaram-se. Levou-a para o quarto. Tomaram um banho. Fizeram sexo. A liberdade de todo o cansaço era gozar. Ele usava o dorpo dela.

Fechado em si mesmo, Joana dormindo, foi remoído pela lembrança do dia posterior. Conhecia sua vida até o fim do ano, sabia exatamente o que ia acontecer. Amanhã seu chefe argumentou que o trabalho de Pedro não está rendendo, e ele contra-argumentou que o chefe tem mais é que ir para a puta que o pariu. O chefe ficou paralisado, pensou em demitir Pedro, mas lembrou das fotos. Pedro riu da cara dele e foi trabalhar, como previa o acordo de chantagem. No dia depois de amanhã, o mesmo aconteceu.

Joana sonhava com Pedro. Ele a amava e beijava sua barriga. Dizia que estava muito vazia. Dizia que estava na hora do Pedrinho aparecer. Ela o abraçava, ela o adorava, ela o pegava quase com violência e o deixava entrar para nascer Pedrinho.

Pedro ouvia Joana arfando. Será que sonhava com outro? Ela se contorcia de maneiras que ele nunca vira. Deve estar sonhando com outro. Sonhando com o outro. Isso não aconteceu amanhã. Não aconteceu ontem, consertou. Joana começou a gemer, a se mover mais, a agarrar o travesseiro. Ele a tocou, tremendo. Ela acordou em êxtase, grudou nele: "Me dá um filho!"

Você estava sonhando comigo?
Que você me fazia um filho.
Eu não posso.
Você pode, você pode.
Eu tenho fotos comigo. De você.
Do que está falando?
Eu sou podre como você.

Pedro matou Joana. Não sabe dizer por quê. No dia seguinte mandou o chefe para a puta que o pariu. Mandou uma foto para a esposa dele, uma para os diretores da empresa, uma para a polícia. Entregou-se. Não sabe dizer por que não foi preso. Disseram algo sobre passional. Ele não entendia dessas coisas. Queimou os livros dela.

sexta-feira, março 04, 2005

Atualizações

A razão de eu estar postando coisas desconexas, ou nem postando, é que estou entretido comigo mesmo. Descobri, exemplo bobo, que sou capaz de fazer para mim mesmo o feijão mais gostoso que já comi. Já ouvi dizer que o nome Faggiani deriva sua raiz do alimento feijão. Não sei se é lenda; o fato é que gosto muito mesmo do tal e cozinhá-lo bem me faz um homem auto-alimentado (de um milhão de maneiras).

Também descobri um livro de contos. Ops, uma coletânea de contos. Ops, uma seleção de contos chamada "Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século" (XX). Há obras mais do que fantásticas. Engraçado eu, que afirmo tanto meu gosto por literatura, desconhecer completamente os Contos. O único livro de Contos que eu li foi "Laços de Família", da Clarice Lispector, obrigatório para o colegial. Depois dele, decidi que Contos não prestavam. Ainda bem que "Os Cem Melhores..." veio parar na minha mão. Peço perdão aos escritores por ignorar esta forma de contar história tão... tão... megafodaça.

Voltei ao circuito de festas da Psicologia. Depois de alguns semestres afastado da loucura, estou retornando. Esta semana em especial foi beberrenta. Organizaram o chamado "circuito alcoólico", que consistiu em visitar um bar próximo à UFSC por dia da semana. Começou com o Pida, pulou para o Tritão, de lá para o Quebra Gelo, ontem Pipa e hoje termina no Iega. Termina nada... fiquei sabendo que sábado vai ter festa da Psicologia na minha casa. Eu tenho sinceramente muito medo disso.

Tem uma dor no meu peito que não desaparece nem com exorcismo, nem com estoicismo e muito menos com eufemismos. Meu peito lateja, mas a culpa é do meu cérebro. Descobri terribilidades para meu frágil coração de mão única. Sim, sim, interditaram mais uma via de acesso: meu coração está sendo trancado em si mesmo.

Mas nada é nada e depois de frito serei assado.

terça-feira, março 01, 2005

prelúdio das histórias impunes

Tomados de fúria discreta, atiraram pedaços de papel aleatoriamente amassados na cara do professor. Cada papel tinha uma história pessoal escrita em letras minúsculas; histórias que envolviam injustiças e o professor; histórias que nunca seriam lidas por causa da impaciência do alvo das bolas de papel. O professor encarou o ato dos alunos como uma brincadeira, pois há alguns minutos atrás havia pedido a todos que fizessem algo surpreendente. Surpreendeu-se ao falar isso e se surpreendeu com o ato dos alunos. Ele sinceramente esperava algo mais artístico. Após isso, a aula de teatro seguiu radiante; alunos de catarse feita e professor com pulga atrás da orelha..

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Ronaldo não queria tomar aquele copo a mais de tequila. Mas os amigos eram tão amigos e os pedidos eram tão amigos, que virou não mais um, mas mais três. O problema era dinheiro, claro, sempre era. Foi bancado pelos amigos e posteriormente levado para tomar glicose. Todos acordaram refeitos para sempre até a próxima noite.

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Era uma vez um gato que pulava de telhado em telhado. Alguns diziam que era um leão. O gato, descobriram mais tarde, chamava-se leão porque havia devorado um. Claro que ninguém entendeu isso ao pé da letra, pois um gato não pode devorar um leão inteiro. Resolveram rebatizar o gato e lhe deram o nome de gato. A partir daí o gato pôde pular de telhado em telhado em paz.

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Depois do casamento de sua prima, Pancinha comeu um belo prato de feijoada.