sábado, dezembro 31, 2005

A C A B O U

Em alguns momentos, eu duvidei que essa ano iria acabar. As pessoas são esquisitas: todos acham que os anos terminam depressa. Isso, na minha opinião, é memória defeituosa. Este ano, por exemplo, teve muitos dias, muitas semanas e muitos meses. Aconteceu tanta, mas tanta coisa, que fico até tonto de lembrar. Não passou rápido de jeito nenhum. Minha memória não foi corrompida.

Não sou de fazer resoluções pro ano novo. Mas fiz três pra 2006. Vai ser moleza.

Feliz ano novo pra vocês!

quinta-feira, dezembro 29, 2005

Onipotência ou Onisciência?

Se me dessem a opção de escolher entre a onipotência e a onisciência, em primeiro lugar eu consideraria quem me deu a opção uma coisa extremamente pretensiosa. Teria que ser alguma coisa diferente, pois nunca poderia ser alguém comum.

Acho que os curiosos responderiam onisciência. Mas, cá entre nós, onisciência deve ser um porre. Saber de tudo que foi, é e será? Muito obrigado, mas dispenso. Mesmo tendo o efeito colateral "ansiedade", não saber de tudo é parte da alegria da vida. Para que você iria ver um filme se já sabe cada cena do filme? Não, eu quero que a onisciência passe longe de mim. Prefiro ser meio burro.

É claro que se você fosse um pouco menos egoísta e não pensasse apenas em você mesmo, a onisciência seria um boa ferramenta para ajudar as pessoas. Mas esse argumento também não vale, pois com onipotência você poderia ajudar mais pessoas de mais formas diferentes; bastaria o verbo "ninguém mais tem fome". Saber como acabar com a fome não é o mesmo que poder acabar com ela. Estou dizendo, a onisciência é uma furada.

Devem ter percebido que eu escolheria a onipotência. Além do ganho pessoal de se poder fazer o que se quer sem saber no que isso vai dar, ainda haveria a possibilidade de criar um mundo bem bacana. Mas a onipotência também tem seus problemas se vier com algum conhecimento. Saber que é possível fazer tudo não é assim tão diferente de saber tudo. A onipotência teria que vir acoplada a uma ignorância ímpar para ser agradável.

Pensando melhor, imaginem o estrago que poderia causar um ignorante onipotente! Nós poderíamos deixar de existir sem mais nem menos. Eu gosto de existir e de jogar futebol. Não sei quanto tempo ainda vou existir, mas não gostaria que me tomassem isso. Imaginem se o onipotente não gostar de futebol...

É um porre mesmo! A espécie humana é tão simples que tem uma conformação tal que nem mesmo pode ser onisciente e onipotente, pois isso causaria um pane irreversível nos sistemas. Talvez o melhor não seja nem ser onipotente nem onisciente mesmo. O negócio é ser um de mais de 6 bilhões. A gente é pouco, mas se diverte.

PS: Algumas pessoas podem argumentar que minhas idéias estão curtas porque eu não consigo imaginar a consciência superior que viria com a onisciência. Eu posso imaginar sim, seria realmente um saco. Saber tudo é saber tudo de qualquer forma. Se eu fosse um Criador onisciente, para falar a verdade, eu não criaria nada.

quarta-feira, dezembro 28, 2005

O modo como se move

Ah, o modo como se move pela terra fofa, um passo tão misterioso quanto o outro, afim com o silêncio... As mãos em formas mutantes, um olhar fundo, fundo, focando a presa: inevitavelmente eu.

E o modo como se move no asfalto quente, com passos longos, quase pulos, desviando heroicamente dos carros e muros... Um sorriso experiente emoldurado no rosto já cansado de sol e gente, andando rápido, inevitavelmente sigo.

Ah, movendo-se na escuridão do quarto, passos pesados para chamar atenção, alguns giros rápidos, um momento de tensão... Os olhos mais vivos do mundo falando desejo, e a queda de corpo em cima do corpo inevitavelmente meu.

terça-feira, dezembro 27, 2005

Novano

Está chegando o Ano Novo. Como ele será?

Eu o imagino um corredor dos 100m rasos pronto para a largada, um atleta empolgadíssimo que comeu demais na noite anterior. Talvez ele bata um recorde mundial, ou talvez ande um pouco mais devagar devido a algum bolinho extra.

Imagino seus pensamentos. É um ano que carrega milhares de anos em suas costas. Está preocupado em impressionar. Gostaria de paz, mas sabe o quanto é difícil. Pode ouvir o sussurro de séculos anteriores, pressionando-o para levar uma boa vida. Deseja pedir ajuda a todos que o viverem, no entanto, foi instruído a não fazê-lo.

O Ano Novo sempre fica feliz em ouvir as promessas das pessoas que nele viverão. No fim, decepciona-se, pois poucos levam a sério suas resoluções. Apesar de querer ouvir tudo agora, tem medo de que parta da existência decepcionado.

Ele deixou claro para mim que não pode me prometer nada. Explicou-me que é mais um ambiente do que um organismo, e que qualquer acontecimento deve ser atribuído aos que vivem nele, e não a ele. Além disso, confessou-me ficar chateado pelos anos anteriores, acusados de serem ruins.

Disse-me ainda desejar que todos entendam que ele, em última análise, é apenas um nome. Nós somos o Ano Novo.

segunda-feira, dezembro 26, 2005

Reencontrando o Truco

Sempre joguei truco. Quando aprendi, ainda era auge do sistema de "manilha velha", mas o sistema de "manilha nova" estava sendo implantado e aprendi os dois. A diferença é que no "manilha velha", as cartas que valiam mais são constantes, enquanto no sistema novo, as cartas que valem mais variam a cada rodada.

Joguei muito truco em casa, principalmente nas festas de família, quando meu lendário Tio Angelin aparecia com seus gritos de truco que ecoarão pela eternidade. Quando eu penso no tipo de jogador de truco que quero ser, penso no meu tio Angelin. Ele tinha uma capacidade de ficar vermelho gritando coisas engraçadas e de provocar os adversários de maneiras nada convencionais, que ganhava todas mentindo. Blefe era o segundo nome do meu tio Angelin. Angelin Blefe, primo do Angeloni.

No colegial, desenvolvemos um sistema discreto tão poderoso, que jogávamos durante a aula, olhando para o professor. Parece mentira, mas não é. Nenhum professor jamais nos flagrou. Mais tarde entrei na Universidade de Guarulhos, e lá tínhamos a disciplina "tópicos em truco". Diariamente jogávamos, e jogávamos ainda mais nas aulas de anatomia.

Terminei por enjoar. Em Florianópolis, eu joguei muito pouco: uma ou duas partidas e já me afastava da mesa. Mas mesmo enjoado, tive ânimo para jogar algumas partidas contra a inesquecível dupla da CARNE. E foi histórico o momento em que a equipe CERVEJA foi campeã na modalidade Truco na primeira Olimpsíadas, título que foi renovado na segunda Olimpsíadas.

Depois disso, parecia que minha breve carreira no truco havia acabado. Já não sentia mais vontade de jogar, todas as mesas eram iguais e os adversários pareciam iguais. Não que eu seja um grande mestre na arte do truco, sou até bem ruinzinho, mas entre gostar e ser ruim há uma imensa diferença.

O bacana do truco é enganar o adversário. Truco bom é truco roubado. É olhar na cara do mané e pedir "meio pau" com um 7 na mão. O prazer é ver o mané deixando de ganhar 6 pontos e ainda o presenteando com 3. Isso é o bacana do truco!

A outra coisa bem bacana do truco é o parceiro de jogo. Se ambos se conhecem bem e manjam dos discretos sinais trocados, o jogo flui com uma facilidade incrível. Aos adversários cabe apenas a derrota humilhante. Mas se o parceiro não for bom... Daí tenho que citar meu amigo Herbário: "sexo é que nem truco, sem um bom parceiro é preciso ter uma boa mão".

Reencontrei o truco em uma reunião de família, para variar. Jogamos eu e o meu irmão contra o meu tio e o meu pai e depois eu e o meu tio contra meu irmão e meu pai e depois várias outras duplas com várias outras pessoas. Tudo regado a amendoim japonês e cerveja. Foi divertido demais! Minhas vitórias e derrotas foram equilibradas, mas quando joguei com meu tio, várias duplas foram necessárias para nos tirar da mesa. Esse tio com quem joguei não é o Angelin, é o Ângelo. Juro.

Agora, como bom tio, tenho que ensinar ao Pietro as artimanhas do jogo da mentira. A vida se divide entre fora e dentro de um campo de futebol e entre fora e dentro de uma mesa de truco. No truco, a mentira é bem vinda e a enganação é a lei. Mais gente podia entender isso, e deixar de roubalheira fora das mesas de truco.

Este texto não tem um final de efeito. Ele acabou aqui. Obrigado por ler, se você teve paciência. Feliz ano novo.

sexta-feira, dezembro 23, 2005

Pensamento de concreto

O pensamento faz parte do mundo,
Deste aqui, concreto, pois outro não há.
O pensamento existe no tempo,
Evocado por ouro ou poeira, ou ambos até.

O pensamento constrói novos mundos,
Mais ouro e poeira, ou ambos até.
E os vôos noturnos são mais movimentos,
Mais partes do mundo, não sonhos ou fé.

E ainda que puro concreto,
São belos de ouro, de pó e cristal,
São lindas parte do mundo,
Tão lindos palácios de pó e cristal...

quinta-feira, dezembro 22, 2005

Engolindo sapos

Sabe o que eu tenho feito bastante?
Engolido sapos.

Eu os vejo se aproximando. Eles não são silenciosos, vêm fazendo muito barulho, pulando alto e miram invariavelmente a minha boca. Eu, ao invés de desviar, engulo-os todos. A indigestão é certa!

Faço porque desviar seria fugir. Faço porque sei que serei recompensado. Faço porque cheguei agora na cidade e preciso mostrar boa vontade, porque preciso que confiem em mim e me ensinem o que eu quero saber. Engulo sapos apenas temporariamente.

Mas não gosto. Sinto minha mão pesada batendo em mim mesmo a cada sapo. E juro que quando eu estiver em posição de poder escolher se as novas almas vão ou não engolir sapos, vou pelo caminho justo de permitir que cada um escolha o que quer comer.

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Se me perguntassem...

Se fiz boa coisa vindo para sampa, eu demoraria muito para responder. Entre a pergunta e a resposta poderia passar muito tempo de cara impassível, escondendo um pensamento tumultuado.

Eu consegui o que eu queria em sampa: passei no mestrado. Queria isso há muito tempo, direcionei-me para isso e fui atrás disso com força. É claro que é delicioso ter passado, e ter passado bem. Aprendi muito no processo, o que foi um efeito bônus excelente. Mas acho que passar no mestrado não está sendo suficiente para garantir minha felicidade.

Acho que posso resumir a coisa com uma cena verdadeira. Eu estava na USP quando fiquei sabendo que havia sido aprovado. Fiquei absurdamente feliz e me dei o direito de faltar à aula e voltar para casa para começar as comemorações empolgantes. E fui eu para o ponto. E esperei o ônibus. Veio. Sentei. Passou muito tempo pelas mesmas ruas, vendo o ônibus lotar. Cheguei ao metrô. Estava cheio. Fiquei de pé apertado. Baldeação na Estação Paraíso (que lembra muito o inferno). Diversas estações depois cheguei ao outro ônibus. Esperei. Sentei. Depois de muito tempo pelas mesmas ruas, vendo o ônibus lotar, cheguei. Minto, desci do ônibus. Andei um bocado, cheguei em casa. Fui para o meu quarto emputecido de ter passado no mestrado, pois sabia que teria que realizar essa caminhada toda mais vezes por semana.

Soma-se a isso eu ter uma fortuna calculada em R$0,10. Essa fortuna me faz dizer "não" a muitas festas. Eu me torno um prisioneiro da minha casa. Só saio para pegar ônibus para ir à USP ou para atender (atendo em um local ainda mais distante do que a USP). Parece idiota reclamar, ainda mais considerando que sou apenas mais um entre milhões de pessoas que fazem percursos tão longos quanto o meu. Eu considero o contrário, errado é aceitar essa pouca saúde, essa infelicidade enlatada.

Começo a pensar em uma opção horrenda: morar no CRUSP... Não quero isso por nada! Mas preciso de uma solução urgente.

E vejam bem: eu curto sampa. Curto mesmo. Mas sampa vem com brindes dispensáveis: trânsito, distância, preço alto.

quarta-feira, dezembro 21, 2005

Descobri o que faltava

Na segunda, festa na casa de professores monstros figuraças.

Na terça, festa do pessoal da clínica.

É isso que falta. Festa.

Festa!

Eu me sentia na boa e ensolarada Floripa toda vez que eu ria.

Ah, como é bom sentar, beber e falar besteira. Que coisa mais boa demais!

PS: fazer festas no fim de semana, e não na segunda (tendo que acordar cedo na terça) e outra na terça (tendo que acordar cedo na quarta). O caso é que na terça você acorda cansado, mas na quarta você é arrancado da cama, e na quarta à tarde já nem lembra mais o seu nome.

terça-feira, dezembro 20, 2005

Alegria Divertida na balada apartamental

Não consigo parar de rir toda vez que eu lembro...

Ontem rolou festa na casa de professores de Psicologia. Só tinha convidado fera. Tinha até convidado internacional. A festa começou aquela coisa, todo mundo sério... Eu bem tímido no meio daquele monte de monstros...

Dali a pouco soltaram a bereja, e aí a vaca foi pro brejo.

Era 2:00h da manhã e a gente pulava no apartamento como se estivéssemos em uma balada. E era grito, e pulo, e música alta... A coisa mais engraçada do mundo é você ver um monte de gente que é lenda no Brasil fazendo as mais absurdas palhaçadas!

Foi estupidamente surreal!

Alegria divertida total! E... conheci pessoalmente alguém de fora do Brasil... meus planos para o doutorado podem ter dado um primeiro passo importante.

domingo, dezembro 18, 2005

Murphy´s Day ?

Formatura. Ir ou não ir? Ir ou não ir?
Preciso colocar roupas chatas, ver gente de roupa chata, ouvir música de festa chata...
Mas é grátis...
Um amigo convidou...
Ir... Convicto como um cão atravessando a rua.
Carona! Isso ajuda!
Parada no Tatuapé para encontrar a galera.
Checo minha roupa Frankenstein, cinto de um, sapato de outro, camisa do terceiro, paleto do quarto.
Roupa bege, qualquer gota de chuva fica marcada quase para sempre.
Conversamos na rua, chove leve.
Sério que o Fulano não vai? Pô, precisava falar com ele. Que merda.
Olha, um carro está passando.
Aquilo é uma po...?
Arre! Banho de poça na roupa bege.
Agora sim estou me sentindo ótimo depois de toda aquela convicção.
Entrar no carro.
Dirigir setecentos e vinte e oito Km até o local da festa.
Do laaaaaaado de casa.
Trânsito de bônus.
Tudo está ao gosto de Murphy.
Fila para entrar... mas espere!
Local grande e bacana!
O LIC é do tamanho do banheiro do Clube Pinheiros?
E essa banda?
Que banda show! Um verdadeiro espetáculo!
Foi na faixa mesmo essa festa? Foi!
Opa, Murphy está perdendo a manha.
Passa o tempo. Aperta o sapato.
Ah, entendi, a cerveja está pagando o baile, cara como está.
Média de idade de 19 anos, com picos de 12 e 60.
É preciso confessar que foi divertido ver a banda.
Vamos embora ou vamos comer?
Comer. Onde?
New Dog. Onde fica?
A setecentos e vinte e oito Km daqui.
Do laaaaaado do local do baile.
Chuva insana e furiosa!
O motorista não enxerga, mas acha que é por aqui.
Trânsito de madrugada mais chuva torrencial de verão:
Delícia total!
É aqui!
Chegamos.
Xiiii, esse lugar parece chique demais mesmo para quem está com uma roupa chata como a minha.
Olha que meigo esse X-Burger simples de R$7,50.
Fundos monetários carteirais: R$8.00.
Não dá para pagar os 10%.
O jeito é apelar para o cartão eletrônico.
O céu é o limite até R$15,00.
Pelo menos a formatura foi grátis, o Tico acalma o Teco.
Um ovo extra custa só R$1,90?
Ah, entendi, deve ser de alguma galinha estrela de comercias.
Justiça seja feita: o local é bonito.
E a comida é realmente gostosa.
Acabou.
Vamos para casa?
Vamos. Onde fica?
A setecentos e vinte e oito Km do New Dog.
Ou seja, aqui do laaaaaado.
Chegamos 6:00h.
Cama.
10:00h? Fogos?
Não vai me dizer que o medíocre São Paulo foi campeão mundial?!
Foi! É demais para uma alma apenas.
Serão infinitos anos ouvindo "mas nós somos tri".
10:30h... O Pietro começou a mamar depois de quase não mamar três dias?
Uhuuuuu! Vai lá, sobrinhão, come mesmo!
E agora, hein, Murphy? Com essa você não contava!
Fechando para balanço...
Não exatamente um dia de Murphy...
Apenas mais um dia comum na cidade de São Paulo.

quinta-feira, dezembro 15, 2005

Ordem ou Caos?

O caos está na moda. É fashion. Está aí na boca de todos. O mundo é tão dinâmico, que nada pode ser, pode apenas estar por muito pouco tempo. O caos é aquela borboleta assanhada batendo asas sedutoramente, provocando do outro lado do mundo um furacão.

Será o caos intrinseco à natureza, ou será o caos ignorância humana?

O caos é estético. Caos é confundido com arte, com criatividade, com liberdade, com eventos naturais incontroláveis. Caos é Deus?

Pobre do que defende a ordem. Pobre do que não nega o caos, apenas utiliza outro nome para ele: desconhecimento. Pobre do que procura o que muda no que muda, o que faz mudar o que muda, o porquê muda o que muda.

Era do achismo! Sabe quem não acha, sabe quem sabe? Os bandidos.

Isso! O caos é vendido como camisetas. Compra-se caos em livros, em filosofias, em supostos métodos de conhecimento sem objeto. Então, o que estuda a teoria do caos? Arrisco que é um compêndio do que ainda não foi compreendido. Matemática não decifrada. Mas não desistam... O rótulo de caos deve ser breve.

Já diziam os bons pragmatistas: uma idéia é mais adequada do que a outra apenas no sentido de que uma delas pode produzir mais ações efetivas do que a outra. Como o caos pode ajudar?

Por que é tão bonito o mistério? O que se chama de mistério fica fechado indecifrado. Mas o nome mistério, o nome caos nada dizem de fato. São fugas do estudo. Se o homem não tem capacidade de explicar algo, esse algo deve ser chamado caos? Então a realidade é apenas o verbo? E se para além da incapacidade houver ordem?

Parece que a ordem é feia. A ordem é o mal cavalgado pelos controladores. Os bons reconhecem o mistério todo poderoso. Caos é verbo. Ordem é ação. Do que precisam os homens neste século absurdo?

Está tudo errado. É tão difícil pensar que a criatividade pode ser explicada? É impossível pensar que a variabilidade não é instrínseca? A ordem torna o comportamento feio, torna o produto do comportamento feio?

Isso é absurdo para mim. Não deveria se tratar de estética: a ordem não desfaz o belo e não atenta contra o que é chamado de criatividade e liberdade.

Enquanto o caos for idolatrado, a ordem será usada por maus controladores. Não se trata de maniqueísmo, não é batalha do bem x mal. Tudo é contínuo. Trata-se do uso. O uso deve ser adequado.

quarta-feira, dezembro 14, 2005

Tiozão

Nasceu Pietro Ferreira Faggiani, o garoto com o tio mais bacana do mundo.

A primeira palavra que ele vai falar vão ser três: mulher, futebol e cerveja.

Ele é um brasileiro. E não desistirá nunca.

Eu vou ensiná-lo a ser uma pessoa boa.

Comigo ele vai aprender a respeitas as pessoas.

Ele vai ser inteligente. Vai ser um grande homem.

Ele e os primos dele que ainda serão fabricados são o que o Brasil precisa.

O clã dos Faggiani está mais forte agora.

Dá-lhe, Pietro!!!

Um dia como este

Todas as estupendas coisas da vida ocorrem em um dia como este. Boas ou ruins.

Eu já me apaixonei eu um dia como este. E já me decepcionei. Já fiz um milhão de coisas e nada em uma dia exatamente como este.

Talvez no dia de hoje, um dia tão normal quanto qualquer outro, o mais importante evento do universo ocorra. E é só depois que acaba, que um dia como este recebe algum status especial. Sim, porque ele começa e termina no tempo, e é independente do que se queira, e é igual a todos os outros dias, senão por algum acontecimento que o escreve na memória.

Talvez hoje surja vida.

Talvez meu sobrinho nasça hoje. Talvez amanhã. Mas amanhã, eu já sei, é um dia como este.

segunda-feira, dezembro 12, 2005

Enquanto isso...

Enquanto isso, nosso herói Trampolino está lutando contra cem ninjas! Em uma cena que reúne elementos de Matrix 2, Kill Bill vol 1 e Herói, Trampolino está dando pézadas e mãozadas nos cem ninjas.

Eles caem como ameixas secas frente aos poderosos golpes de Trampolino. O herói se move ferozmente, é puro fogo abastecido pelo ar noturno. No final, apenas ele permanece de pé, qual árvore milenar.

Não percam o próximo capítulo, que contará mais excelentes histórias do seu herói preferido.

sábado, dezembro 10, 2005

Buuuuuuuuuuu

Estou cansado. A semana inteira eu me arrastei. Conheci momentos de pura fúria por ser uma sardinha no latão. Fujo do tranporte como se minha vida dependesse da distância dele. Não quero tomar ônibus nunca mais. Nem metrô. Só consigo pensar nisso. Tudo que escrevo é sobre isso. Todo o meu cansaço é por conta disso. Não agüento! Estou sendo vencido por causa das horas que passo me locomovendo. Vencido pelo aperto, por ficar horas de pé. Não consigo mais! Chego em casa sem vontade: não quero comer, não quero sair, só quero dormir... mas é dormir para acordar em outro ônibus! Não dá! Eu preciso sair dessa maldita rotina!

quarta-feira, dezembro 07, 2005

Um indivíduo em sampa

Eu estava pensando sobre o poder de um cidadão em São Paulo. Já ouviram falar na teoria do caos? Uma de suas pressuposições é a de que quanto mais complexo um mecanismo maior a probabilidade de uma de suas peças apresentarem problema e o todo deixar de funcionar.

São Paulo é um dos organismos mais complexos que existem, pois é formada por mais de 11 milhões de organismos bastante complexos e cheios de complexos. Ou seja, um simples acontecimento pode produzir uma onda de caos de proporções absurdas. Veja um exemplo menor:

Imaginem um cidadão curioso. Conseguiram? Ele quer saber o que aconteceria se impedisse a porta de um trem do metrô fechar na estação Sé às 18:15h. O resultado vocês podem prever. Todos os trens parariam, filas quilométricas se formariam, muitas pessoas jantariam fora de hora, todos se estressariam mais do que o comum, alguns não tomariam o remédio na hora certa, pessoas ficariam preocupadas pelo atraso de quem esperam, e assim por diante.

Um cidadão curioso é capaz de criar um caos tão absurdo! E tudo o que ele fez foi impedir o fechamento de uma porta. Imaginem agora um cidadão com muito poder, que manda e desmanda no emprego de milhares de pessoas, que decide e revoga o salário, os juros e os benefícios de milhares de pessoas. Esse cidadão é imensamente perigoso. Ele é uma bomba! Como prever uma explosão e impedi-la? Isso é praticamente impossível de ser feito com o sistema atual. Não acredito que os mecanismos de correção da comunidade sejam muito eficientes.

Não há muito o que fazer. As pessoas precisam ser ensinadas a pensarem no que acontece com o mundo que não está em seus olhos. Fico meditando e meditando em como contribuir para isso.

domingo, dezembro 04, 2005

A verdade sobre a nostalgia

Agora que o processo de seleção do mestrado acabou, posso me dar ao luxo de analisá-lo mais friamente. Vou fazer isso de trás para frente.

As provas foram muito fáceis. Não apenas para mim, mas aparentemente para todos. O processo de seleção ocorre, na realidade, antes da prova. O teste é apenas para eliminar candidatos que realmente não tenham noção nenhuma (o que é muito difícil, já que os alunos que fazem a prova já foram ensinados pelos possíveis orientadores).

Fiz um estágio de 4 meses, que incluiu participar de um curso de pós-graduação lato senso (como ouvinte; vi metade do curso), assistir a aulas em que analisávamos o processo clínico do começo ao fim, e participar de um grupo de pesquisa sobre o comportamento verbal. Foi durante esse estágio que aprendi o que eu precisava para ser aprovado nas provas. Foi também nesse período que aprendi muito mesmo sobre a ciência do comportamento. Em 4 meses, conheci mais do que em muitos semestres da UFSC. No entanto, percebi que não fosse a base que obtive na UFSC, eu não conseguiria entender os conceitos mais complexos.

Tive que fazer um projeto de pesquisa. Esta foi uma parte da seleção particularmente difícil, pois não conhecia o assunto e tive que começar de baixo. Li muito sobre a correspondência dizer/fazer, tive que ler bastante sobre um método de pesquisa todo próprio da análise do comportamento e, finalmente, sintetizar tudo em uma idéia, explicitando um método que produzisse novidade. Foi trabalhoso, mas foi a parte da seleção mais recompensadora. Meu projeto ficou muito bom (e sou auto-crítico demais!). Quando minha orientadora o leu, disse "bem vindo à USP". Belo dia aquele.

Uma parte da seleção foi chegar à USP e convencer de que eu era um bom aluno. Nesse ponto, preciso agradecer enormemente a um professor da UFSC. Eu não gosto de citar nomes, mas ele vai receber uma ligação minha. Sem a ajuda desse professor, talvez não tivessem me dado a chance de mostrar minhas qualidades. Com um misto de humildade e orgulho, posso dizer que fiz tudo direito: se fui bem na seleção, foi porque estudei bastante para isso.

O momento mais difícil de todo o processo foi deixar Florianópolis. Eu gosto de sampa, mas floripa está em outro nível. Lá eu aprendi muito. Meus melhores amigos estão lá, todo um ambiente que construí em 4,5 anos, eu deixei para trás. E fiz isso por causa desse mestrado. E por isso ele tem esse gosto especial. Não conseguir a aprovação seria a frustração suprema. Depois que parti de floripa, decidi que o resto eu teria que conseguir de qualquer modo. Eu ainda tenho saudade da ilha. Talvez eu não volte a morar por lá, mas certamente ela continuará sendo uma verdade para mim. Eu sei que fui embora da melhor época da minha vida. Meu maior desafio é criar uma época melhor.

E acho que é isso. O resto é transporte, suor e palavras.


PS: Roubei o título de uma música do Raul Seixas.

sexta-feira, dezembro 02, 2005

VINI, VIDI, VICI

Consegui!

Fui selecionado para pós-graduação em Psicologia Experimental na USP!

Uhuuuuuuuuuuuu!

quinta-feira, dezembro 01, 2005

Possível trecho de um possível conto

O CRIME DE MARVIN

Muita coisa pode ser dita sobre o crime de Marvin. Muito mais do que foi dito no julgamento, muito mais do que as pessoas curiosas especularam, e ainda mais do que disseram pessoas diretamente envolvidas com o episódio. Aqui serão contadas coisas que nunca se pensou que pudessem ser ditas sobre o crime de Marvin. É muito possível que, depois de ditas essas coisas, as pessoas refaçam seu julgamento e o considerem inocente. Mas a inocência seria decidida tarde demais, pois Marvin já foi sentenciado, eletrocutado, enterrado e ninguém leu uma única palavra positiva sobre ele.

Uma coisa que ninguém sabia é sobre o lugar onde Marvin cresceu. A exemplo do que ocorre em muitas comunidades, naquele lugar as crianças também precisavam passar por um rito de passagem para serem consideradas adultas. Foi por isso que Marvin foi forçado a destruir o carro do dono de uma pequena loja de material escolar. Quando o empresário apontou o dedo para a cara de Marvin e o jurou de morte, a criança foi considerada adulta. Claro que o empresário fazia parte da comunidade, e foi graças ao seu entendimento das regras que não levou seu juramento às últimas conseqüências. Ao invés de morto, Marvin foi apenas espancado e pôde começar a fase adulta como qualquer pessoa normal.