terça-feira, novembro 29, 2005

Análise do comportamento e outras práticas

Meu primeiro ato como pessoa livre da seleção do mestrado vai ser tomar um porre tão violento, que vou considerar falha não acordar em algum país da Ásia sem lembrar que negociei com o Bush o esquecimento da dívida, e da dúvida, brasileira.

Meu segundo ato vai ser procurar novas formas de olhar para a realidade. Estou invariavelmente comprometido com a ciência, e com a análise do comportamento. É prático, é funcional, é o que o mundo de hoje precisa: rápido, prático e funcional. Não acho que temos muito tempo para filosofar a respeito de nada, nem ficarmos nos perguntando o que acontecerá no futuro, pois creio que pode não haver futuro se algo prático, rápido e funcional não for colocado em ação imediatamente.

Mas... ainda assim, e aparentemente de maneira contraditória, meu segundo ato vai ser procurar novas formas de olhar para a realidade. E isso pode ser explicado. Tendo, já, uma base rápida, prática e funcional, é possível reduzir alguns danos. Pretendo fazer isso, inicialmente, de dois modos: dando aulas e atendendo em clínicas. É um começo humilde, mas é um começo que cria algumas bases educacionais importantes para salvar o futuro da destruição narcísica. O problema é que a ciência, e a análise do comportamento, são relativamente neutras, e não as considero capazes de criarem uma ética. Elas não têm direções, apenas preceitos básicos.

Alguns cientistas, e analistas do comportamento, discordariam de mim. Mas eu tenho boas razões para dizer o que eu disse. Uma ética de um analista do comportamento, por exemplo, seria bem geral, do tipo, "não puna (faça mal)". A análise do comportamento produziria uma direção de ação eficaz e reforçadora, mas há graus e graus de qualidade do reforçamento. A direção de ação seria funcional, e cumpriria seu objetivo, que é o de tornar os homens dignos, recebendo recompensas e evitando punições. Mas talvez isso ainda seja pouco. Penso de forma simples: se é possível ser agradável de mil maneiras, por que utilizar apenas uma? Há um amplo movimento pró pesquisas aplicadas e de análise de o que é mais reforçador para as pessoas.

Isso pode ser resumido assim: um analista do comportamento pode saber o que é melhor, de um ponto de vista prático e funcional, mas não é certo que uma pessoa leiga vai considerar a afirmação do analista do comportamento a melhor. Por isso, estudos tentam descobrir o que a população acha que é melhor, e então adaptar a afirmação do analista do comportamento a essas preferências. O resultado é a afirmação do analista do comportamento revestida de preferência da população. Algo extremamente prático, funcional, e agradável.

Agora sim posso falar do porquê de procurar novas formas de olhar para a realidade. Existem muitas práticas mundo afora que objetivam o bem-estar do homem. A maioria delas não é científica e, por não serem científicas, são de certa forma deixadas de lado pelos cientistas e analistas do comportamento. Não podemos dizer que todos os cientistas ignoram essas práticas (prova disso é a união de neurociência com meditação budista, vide Dalai Lama e seus projetos com investigadores do cérebro), então vamos dizer que há uma tendência em ignorá-las. Acontece que essas práticas realmente produzem o bem-estar no homem. Disso decorre que uma análise científica dos motivos causadores do bem-estar pode ajudar a isolar esses motivos e potencializá-los. Isso, de maneira bem complexa e abrangente: se for descoberto, por exemplo, que uma prática promove o bem-estar por causa da filosofia que a embasa, então é a filosofia que a embasa que necessita ser potencializada.

Mas alguns problemas são gerados. Primeiro, há uma quantidade quase infinita de práticas e filosofias que aparentemente produzem bem-estar. Uma análise de cada uma delas seria absurda. O ideal seria observar o que essas práticas e filosofias têm em comum, e assim isolar a propriedade essencial causadora de bem-estar. Mas talvez isso seja impossível e nem haja uma propriedade comum. Talvez a propriedade isolada do todo da prática não cause bem-estar. É uma dificuldade difícil de ser superada.

Uma solução possível seria escolher uma prática específica e extrair dela um direcionamento. Mas cada pessoa é singular. Então, realmente ideal seria analisar diversas práticas produtoras de bem-estar e estudá-las todas, permitindo que cada pessoa escolhesse aquela que é mais adequada para si. Essas práticas, então, seriam potencializadas com as descobertas da aprendizagem produzidas pela análise do comportamento. O resultado, em teoria, seriam super-práticas causadoras de bem-estar.

É preciso deixar de lado o preconceito com a ciência. Pois, de fato, ela se responsabilizaria pelo grau de qualidade das práticas. Por sua vez, os cientistas deveriam reconhecer que deles não vêm todas as soluções, e que eles precisam se submeter às qualidades de práticas não geradas em laboratório. Eu acredito que seja possível essa junção adequada de práticas científicas e não-científicas, desde que a prática não-científica seja devidamente estudada pela ciência. Não importa se a concepção da prática for anti-ciência, o que importa é que essa concepção seja promotora de bem-estar, como mostrado experimentalmente. Para a ciência, não deve importar o conteúdo, mas sim o produto do conteúdo. É uma afirmação altamente pragmatista. É o que deve ser.

Por isso quero estudar novas formas de olhar para a realidade. Apesar de saber que a análise do comportamento, por si, permite a criação de um mundo agradável a todos, ao mesmo tempo inegavelmente prático, também sei que é possível a criação de um mundo ainda mais agradável, se forem utilizados conhecimentos e práticas que a ciência não produziu. Volto a repetir: desde que esses conhecimentos e práticas sejam analisados cientificamente, e seus componentes que causam bem-estar sejam identificados.

Eu sou um cientista convicto. É a mais sincera das formas de conhecer.


PS: Tenho um projeto secreto de analisar o budismo comportamentalmente.
PS2: Agora não é mais secreto.

segunda-feira, novembro 28, 2005

Asserção

Ontem eu fui ao mercado e me impressionei com o japa. Ele foi o exemplo máximo do problema que é a falta de assertividade.

Eu estava, bem folgado, em um canto do corredor, enquanto deixava o carrinho no outro canto. Desse modo espreguiçado, eu fechava o corredor inteiro. Estava esperando minha mãe pegar a carne que o açougueiro estava moendo. Minha mãe me chamou a atenção, dizendo "olha, acho que aquele moço quer passar". Era o japa.

O japa não olhou na minha cara, andou com seu carrinho alguns centímetros para frente e outros para trás, e assim fez umas três vezes, como quem decide se deve ou não dar um passo adiante. Eu fiquei parado, esperando para ver o que ele ia fazer, até por que depois daquela dança tímida eu já não sabia se ele queria passar ou não.

Ele deu meia-volta e continuei observando seus movimentos. O japa contornou o pedaço imenso das prateleiras de frutas (mas imenso mesmo), para poder chegar no balcão do açougue, que estava a 15 cm de mim. Uma volta imensa e um ponto a menos de auto-estima para a conta do japa. Enquanto que, um simples "com licença, por favor", faria todo o serviço.

Esse é um exemplo em baixa escala. O que quero dizer é "quando em uma situação de timidez, em que a assertividade é requerida, lembre-se do cara do mercado".

Chega de falta de asserção. Todos vocês que estão lendo depositem U$1000000,00 na minha conta até amanhã

Por favor?

sábado, novembro 26, 2005

Latência

A janela para a criação de posts para este blog ficou aberta o dia inteiro. Decidi postar de manhã, mas não sabia sobre o quê. E foi ficando, ficando... de vez em quando, durante o dia, eu ia até ela e pensava em algo bom para se escrever sobre, mas não consegui organizar nenhuma idéia. E foi ficando, ficando...

Quando cliquei nela há alguns segundos atrás, tive a idéia do título, por causa da demora para escrever. No fim das contas, consegui uma postagem. Meio sobre nada. Ou um pouco sobre alguma coisa.

Bandida essa, né?

quarta-feira, novembro 23, 2005

Encontro Inesperado

Hoje, no busão lotado, encontrei meu antigo professor de kung-fu. A última vez que nos vimos foi há uns 7 anos atrás, quando minha perna ainda era capaz de alcançar um pouco mais do que minha altura.

O malucão se formou em Educação Física e pensa em fazer mestrado em filosofia, focando artes marciais, claro. Ainda tem a velha academia, que é perto da minha casa, aliás. Disse-me que do velho povo, não tem mais ninguém treinando.

Foi bom encontrar o cara. Ele é uma figura. Um professor kung-fu do riso. Foi com ele que dei os primeiros passos na filosofia oriental. Tínhamos uma espécie de grupo de estudo de sexta-feira. Bons tempos aqueles. Até hoje, muitos dos meus amigos de Guarulhos são o povo que conheci trocando porrada.

Confesso que bateu aquela vontade de voltar a treinar. Estou precisando mesmo me movimentar pra valer. Eu teria que começar do zero, pois 7 anos fazem destruições impensadas no seu corpo. Ano que vem vou considerar o assunto. Só não começo amanhã porque não tenho dinheiro.

terça-feira, novembro 22, 2005

Deus e o Diabo na terra da bola

Agora vão falar que o Timão roubou. Roubou de c+u é rola!

Sendo corinthiano, serei obrigado a acender uma vela pro Diabo e outra pra Deus:
Preciso torcer para a porcalhada do Palmeiras ganhar.
E torcer para o Timão destruir!

Poliça

Ontem, um batalhão de carros da polícia cruzou a rua transversal da minha casa em velocidade relâmpago. Um após o outro, derrapando, buzinando, gritando, acelerando!

Um deles quase derrubou um poste.
Outro quase despedaçou um carro.
Um terceiro quase me levou ao nada!

Enquanto mais carros derrapavam para entrar na rua, mais eu tinha dúvidas de para qual das duas situações eu devia torcer:
1- Que o chamado não fosse tão sério quanto parecia ser; ou
2- Que não fosse nada senão a corrida de confraternização anual da polícia.

Credo! Deu medo de verdade!

domingo, novembro 20, 2005

Para derrotar o sofrimento

Quando me perguntam, eu digo que se fosse para me classificar religiosamente, eu me chamaria de budista. O budismo, como eu o entendo, é um sistema de pensamento e ação brilhante!

Acabo de ler um artigo do Dalai Lama. Muitos o reconhecem como a maior autoridade do budismo. O Dalai Lama escreveu uma frase digna de nota: "Se a ciência provar que algumas crenças do budismo são erradas, então o budismo vai ter de mudar".

Faz um sentido estrondoso, quando se analisa o centro de gravidade do budismo: o sofrimento. Todas as quatro nobres verdades estão relacionadas a ele: a primeira o reconhece, a segunda especifica sua causa, a terceira afirma que é possível superá-lo, e a quarta mostra um caminho para essa superação. Não sei se a palavra "superação" é a melhor, mas serve.

O Dalai Lama continua o artigo defendendo a pesquisa em neurociência para descobrir o porquê da meditação fazer bem, e qual a totalidade dos seus efeitos sobre o organismo. A idéia é nobre: aplicar a ciência para o bem do homem. Objetivo? Aliviar, ou derrotar, o sofrimento.

Não sou muito chegado no budismo de cartilha. Já li livros em que o budismo foi descrito como se ele e o catolicismo fossem irmãos de berço. Não é bem assim. No budismo, é sugerido que se verifique as afirmações, e não que se acredite nelas. A diferença é óbvia: o budismo se aproxima da ciência mais uma vez.

Também não gosto da idéia de cultos budistas. O budismo, como o entendo, não necessita rituais em grupo, e sim uma disposição individual em ajudar o grupo. Não consigo aceitar a idéia de um culto budista, senão amenizando a análise com a sugestão de que um culto pode facilitar a execução do caminho para a superação do sofrimento.

O budismo apresenta um pensamento elevado, com grande correspondência à realidade. Como bom cientista, reflito muito sobre suas zonas de contato com a análise do comportamento. São complexas e estranhas. Do meu ponto de vista, uma união coesa de ambos os sistemas de pensamento é o melhor caminho para derrotar o sofrimento, pois resultaria em um conjunto de ações eficazes e cuidadosamente avaliadas.

quinta-feira, novembro 17, 2005

A cabisbaixa torcida brasileira

Hoje São Paulo estava em clima de saudade e esperança... A explicação é muito simples: o melhor time do Brasil, segundo a segunda maior torcida do Brasil, perdeu de forma ridícula e insossa um dos jogos mais importantes do campeonato brasileiro. O Timão (a.k.a. Corinthians), levou 1 a 0 do São Caetano, enquanto seu adversário mais direto ganhava por 1 a 0 (gol feito aos 47 do segundo tempo: pra fazer pedra chorar, né?).

A cidade caiu de saudade dos 6 pontos de vantagem que o timão tinha. Agora são apenas 3 pontos, 1 vitória e vários gols a mais que o segundo colocado (que continuará assim até o fim do campeonato, se a mandinga der certo).

Prestem atenção agora. Analisemos a importância de um indivíduo em um grupo por meio da consideração de um lance:

Aos 30 e poucos minutos do segundo tempo, um centro-avante corinthiano ficou cara a cara com o gol. Eram apenas ele, o título e a consagração. Qualquer perna de pau em sã consciência enfiaria uma bica destrambelhada tão forte para o gol, que o goleiro adversário não faria parte da equação. Eu sei o que eu faria: abraçaria a glória eterna.

Mas o que o cidadão fez? Tentou driblar para fazer um gol bonito. Provavelmente pensando que se ele demonstrasse habilidade e fizesse um golaço, seria melhor recompensado. Pois bem; acontece que ao tentar driblar O GOLEIRO, ele o colocou na equação. O resultado foi uma grande e estrondosa merda.

Ou seja, um idiota exibicionista colocou em ameaça um time inteiro. Mais, colocou em ameaça todos os torcedores corinthianos fanáticos. Uma das torcidas organizadas do timão se chama CAMISA 12 porque seus membros se sentem parte do time. Eles foram traídos. Foram privados dos seus sonhos e crenças.

Pô, Lula, Dirceu, Delúbio e cia, assim não dá! Eu quero ver o Brasil ser campeão!

terça-feira, novembro 15, 2005

Um ano de ASAS

15/11/2004

ASAS

Neste momento, confrontando eu mesmo,
Tudo começa e termina.
As horas mortas ganham vida
Depois de um verso cantado.
O passado inteiro se reconstrói
Após meu verso cantado.

Neste momento, enfrentando o espelho,
Os mínimos se intensificam.
Posso ver além dos olhos
Os próprios limites de mim
Pedindo reparos. Eu anseio,
Só tenho um movimento:

Asas!

segunda-feira, novembro 14, 2005

Profissões Inusitadas - parte I

São Paulo requer criatividade. Não é fácil sobreviver em uma cidade gigantescamente cheia. A princípio, parece que não há mais vagas para trabalhadores. Isso é quase inteiramente verdade. Devido à dificuldade para encontrar as poucas vagas do mercado, os criativos cidadãos de São Paulo desenvolvem maneiras inusitadas de ganhar dinheiro. Esta série tem o objetivo de investigar essas profissões inusitadas e descrevê-las de forma bacanex. A verdade em São Paulo é a sobrevivência.

Obs: todas as profissões são reais.

Para começar a série, nada melhor do que uma profissão com alto grau de inusitisse. Apresento a vocês o...

Vendedor de Troco
Esta profissão é melhor explicada pelo ponto de vista do consumidor de troco.

Você tem um negócio, digamos, na Av. Paulista. Vende sucos e lanches, ok? Por algum motivo que você não consegue explicar, decidiu colocar preços ridículos nos seus produtos. Assim, cobra R$2,48 por um lanche e R$1,83 por um suco. Isso não facilita sua vida, não, senhor. Todos os dias precisa olhar com cara de idiota para seus clientes e dizer que não tem trocado.

Pois bem, o vendedor de troco, que é um cara preocupado com você, não quer que você faça cara de idiota todos os dias. Sabendo da sua necessidade, ele passa no seu negócio e lhe oferece troco. Claro que ele fica com algum para ele, mas ei, eu pessoalmente acho que ele merece, afinal, ele o livrou da sua cara de idiota. O vendedor de trocos é seu amigo.

Qual o instrumento de trabalho de um vendedor de troco? Excelente pergunta. O primeiro deles é a sua incapacidade de conseguir troco. O segundo é um guardador de moedas que ele leva como uma bandeja, em que em cada pequeno compartimento ele guarda moedas de determinado valor.

Quanto ganha um vendedor de troco? Isso depende inteiramente da sua necessdade. Infelizmente, é impossível dizer.

O que é preciso estudar para ser um vendedor de troco? Outra pergunta excelente. Antigamente, não se estudava. Atualmente, recomenda-se conhecimento básico em matemática, especialmente sobre operações envolvendo porcentagem, soma e subtração.



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Não perca a próxima profissão inusitada.

domingo, novembro 13, 2005

Coveiro do feriadão

Bah, que coisa mais triste não ter com quem sair.

Enterrei o sábado, enterrarei o domingo.

Amanhã vou sair pela rua convidando qualquer ser vivo para fazer alguma coisa.

Estar aqui isolado do povo é uma grande e absurda caixa cheia de m.

sábado, novembro 12, 2005

Literatura Travada

Caraca, desde que cheguei em sampa, não li um único livro de literatura. E pior: não consegui escrever um mínimo conto decente. Até escrevi um ou dois, que apaguei um ou dois dias depois, tão ruins eram.

Cheguei a andar por aí com "O jogo da amarelinha", mas desisti de ler. Não gostei muito (podem atirar pedras).

Estou na secura literária. De ler e de escrever! Eu preciso disso!

Eu me programei para ler meu presente de formatura (uhu) neste feriadão ("memórias de minhas putas tristes"), mas ao invés disso vou mergulhar em duas apostilas enormes sobre avaliação de crianças sem repertório verbal.

Já decidi que depois que o resultado do mestrado sair, vou esquecer por um tempo que sou psicólogo e fazer apenas o que for ferozmente obrigatório. Nas férias, quero estudar urbanismo, economia e literatura. Se eu conseguir estudar pelo menos um pouco de um desses tópicos vou ficar feliz. Especialmente urbanismo (sampa está me despertando o interesse por "topografias" de cidades, e por sua parte funcional).

E escrever contos!

sexta-feira, novembro 11, 2005

Está chegando o dia 15/11

No dia 15/11 do ano passado, eu realizei algo que está além da minha capacidade de descrição.

Para não ficar em branco, acho que posso dizer que eu fiz uma auto-imersão terapêutica. No dia 31 de dezembro de 2004, descrevi assim o acontecido:


Este ano me ensinou sobre mim mesmo. O ponto culminante foi o dia 15 de novembro, quando, depois de horas de discussão comigo mesmo, alcancei!!! Isto, "alcancei" sem complemento, pois não sei o que alcancei e não sei precisar a profundidade do que houve naquele dia; sei que desde então estou em paz.

Por este motivo, o dia 15 de novembro tem um significado especial para mim. E ele está chegando! Sinto-me na obrigação de realizar novamente o que realizei ano passado. Ainda sinto o efeito da discussão comigo mesmo sobre o que sou hoje. Arrisco dizer que não tentaria a vaga no mestrado com tanta persistência não fosse o acontecimento do dia 15.

Estou com um pouco de medo. Ano passado eu estava passando por um momento horrível, e o que fiz foi uma espécie de ultimato, um grito por libertação. O resultado é que este ano, 2005, foi em muitas áreas, perfeito. Existem dois assuntos que preciso resolver comigo mesmo, ambos completamente diferentes um do outro. Meu medo é não conseguir resolvê-los por não sentir a urgência que sentia ano passado. Posso carregá-los na costa por mais um tempo, e isso não é bom.

O que quero dizer é que preciso ir além este ano. Dessa vez não quero saltar do nada, quero saltar do topo onde estou. Posso chegar muito longe! Mas não sei o quanto isso pode ser feito.

Deixe o dia 15 chegar, deixe eu fazer novamente sejá-lá-o-quê eu fiz ano passado.

Perto de 15 de novembro de 2006 vocês saberão o resultado.

quarta-feira, novembro 09, 2005

Sincronicidade

Já ouviram falar em sincronicidade? Não sei se há mais de uma definição, mas a que conheço envolve a habilidade (ou sorte?) de um indivíduo de realizar todas suas ações em sincronia com o mundo. Um exemplo elementar disso seria chegar ao ponto de ônibus junto com o ônibus, ou estar querendo entrar em uma livraria e encontrar uma na esquina seguinte.

Pois eu tenho a teoria de que sincronicidade não é nada extraordinário. Creio que é somente atenção e flexibilidade. Uma pessoa atenta é capaz de aproveitar ao máximo o mundo que a rodeia; se for flexível, vai se adaptar ao que a rodeia. Simples assim.

Meu conselho é, então, seja atento e flexível. Você vai ficar impressionado com a quantidade de encontros "fortuitos" vão ocorrer na sua vida. Nem você mesmo vai perceber o quanto esses encontros são produtos da sua atenção, e não de uma sorte divina.

Depois de alguns dias de "sincronicidade", você pode contar aos seus amigos embasbacados suas histórias de sucesso. É 100% bacana e sucesso garantido em festinhas e rodinhas de bar. Aproveite e comece agora a ser atento e flexível. E o melhor: é grátis.

domingo, novembro 06, 2005

A Negra

A Negra reuniu a família, depois de anos de isolamento. Todos se encontraram no velho bairro, velando o corpo de uma das quatro matriarcas. As outras três estavam presentes, assim como os filhos e os netos. Muito choro e emoção das mulheres; os homens conversavam sobre futebol, fugindo de quando em quando para abraçarem as esposas desconsoladas.

Os jovens primos lembravam as velhas histórias, as piadas, as brincadeiras. Cada um estava mais impressionado do que o outro. Nossa, primo, você cresceu bastante. Prima, com quantos anos você está? Lembra de quando andávamos de bicicleta em bando?

A Negra tocou a matriarca com sua eficiência e surpresa habituais. Nos olhos das filhas e dos netos, ficava a saudade adiantada da próxima matriarca. A morte da primeira lembrava inevitavelmente a finitude das outras três. O velório era para todos. Até mesmo os primos, do alto de suas risadas, comentavam tristemente do que poderia vir a seguir.

A matriarca mais velha já não era mais. O que tinha saído dela, afinal, quando a Negra a tocara? Por que os vermes não comiam o corpo antes da morte? Ou comiam? O que fazia daquela carne algo vivo? Aquele monte de imagens não era mais a matriarca. Nem poderia ser. Como alguém pode chamar carne de mãe? Onde estava, naquele monte, feito pedra, a mãe?

Ninguém sabe responder. A Negra nem mesmo existe. É um eufemismo para o maior desconhecido. Alguma coisa simplesmente acontece.

A prima mais nova estava maravilhada. Sem entender muito, apenas brindava, sorria feliz, aquela reunião de todas as pessoas que ela mais gostava na vida.

quinta-feira, novembro 03, 2005

Pró-Jeito

Tô tentando dar um jeito de conseguir um emprego. Meu lance na clínica, que era quase certo, está me parecendo quase errado agora. O problema é que eu moro na China e preciso ir trabalhar na Europa. É tanto gasto e horas de transporte, que o pessoal da clínica tá começando a me considerar como um funcionário gastão. E ninguém quer um funcionário gastão.

Se eu morasse mais perto, estaria tudo certo... Essa vida não é doer? E ontem mesmo eu escrevi um post sobre como estou cansado de me transportar. Não ser contratado por causa disso vai ser a punhalada final!

Enquanto isso, meu projeto de pesquisa pro mestrado está quase pronto. Não tá ruim, não. Tá bem bom, segundo eu mesmo. Mas quem tem que achar isso é a chefe. Se ela achar uma falha grave, volto à estaca zero.

Volto a falar com vocês.

quarta-feira, novembro 02, 2005

A curva do buraco do aprumo mudo

Leia o título no ritmo do verso musical "O Rio de Janeiro, fevereiro e março".


Outras histórias

Amanhã acaba o feriado. É sério. O fim do feriado significa que amanhã eu vou acordar cedo e entrar no transporte público cheio, passar por ruas cheias de tráfego e tráfico, e chegar, eventualmente, ao meu destino de 2 horas de duração, pouco menos tempo do que o transporte público me tomará apenas para chegar.

É verdade, pessoal. Estou sinceramente cansado de me transportar. Vou largar a Psicologia e estudar Física até descobrir uma maneira de tornar real aquela idéia incrível, o teletransporte.

Enquanto isso, espero dezembro chegar.