quarta-feira, agosto 31, 2005

Em verdade

Tristeza é preguiça. Um filme longo e repetitivo que necessita café.

Felicidade é a disposição de lidar com qualquer evento como uma possibilidade de avanço e a vontade de realizar as potencialidades do momento. Uma foto.

segunda-feira, agosto 29, 2005

Os congressos

Fui a dois congressos. Um deles de Biologia Experimental, em Águas de Lindóia e outro sobre Psicoterapia e Medicina Comportamental, em Campinas. Os dois foram muito bons. Vou escrever um pouco sobre cada congresso e sobre as cidades onde foram realizados. Talvez isso não interesse muito a quem não é psicólogo, mas enfim... Aconteceu, então vou relatar aqui. Sempre há algo interessante para se ler nos relatos.

FESBE EM ÁGUAS DE LINDÓIA
A FESBE é a Federação de Sociedades de Biologia Experimental. Assim que eu vi a lista de programação do congresso, olhei para o céu e me perguntei o que eu estava fazendo ali. Apesar de eu ter dois trabalhos (painéis) para apresentar, tanto os painéis quanto eu não éramos exatamente o padrão por ali. Eu era, sem dúvida, um dos únicos psicólogos do congresso. A maioria das pessoas eram médicos, biólogos, farmacologistas, nutricionistas e por aí vai... Ainda que houvesse pouca coisa semelhante ao meu trabalho, as pessoas, em geral, gostaram do que apresentei.

O que me chamou mais atenção, no entanto, foi a ciência que exalava de tudo que estava ali. Como cientista, curti demais aquele clima de propagação do conhecimento. Como psicólogo, fiquei decepcionado por não ver o mesmo nos congressos de Psicologia. A constatação de que a Psicologia ainda tem muito a aprender caiu como um raio na minha cabeça. Acredito que a gente ainda chega lá.

Não aproveitei muito da cidade tranqüila. Claro que existe aquela praça no centro da cidade, as pessoas acostumadas a turistas estão sempre sorrindo, e o clima estava bom. Fiquei pouco tempo lá, porém, e não pude aproveitar as festas. Na quinta às 19:00, fui para Campinas...

ABPMC EM CAMPINAS
O que eu mais gostei do congresso da Associação Brasileira de Psicoterapia e Medicina Comportamental foi entender o que estava sendo apresentado, o que não ocorreu na FESBE. Dentro da Psicologia, os produtos e perspectivas da ABPMC são os que mais fazem sentido para mim. Ao contrário de congressos mais generalistas, congressos específicos como foi o de Campinas apresentam muito mais capacidade de se aprofundar. Vê-se muitas descobertas e apreende-se muitas idéias. Além disso, a reunião permitiu que eu conhecesse profissionais renomados da área. Vários autores que eu li estavam lá, a um passo de uma boa conversa. Nunca aprendi tanto em um congresso quanto aprendi na ABPMC.

O nível de ciência no congresso sobre análise do comportamento é alto, mas ainda não tanto quanto foi o de biologia experimental. Isso não impediu o fato de eu ter considerado a reunião da ABPMC como o melhor congresso que já fui. Estava impecavelmente organizado, em um hotel fenomenal. Todo o ambiente foi planejado para que todos se sentissem bem o tempo todo! E deu certo! Não se poderia esperar nada diferente de um congresso sobre análise do comportamento, que enfatiza o controle do meio ambiente sobre o comportamento.

Apresentei um trabalho que ainda pode dar o que falar. O que eu fiz foi propor a mudança do nome de alguns conceitos. Não quis reformular os conceitos, apenas apontar nomes diferentes para eles. Vou lutar pela idéia. É capaz de que daqui alguns anos, a mudança comece a ser concreta.

Quanto à cidade de Campinas: um lixo de cidade. Campineiros que me perdoem, mas a cidade é feia. Para piorar, dez de cada nove campineiros aconselhavam a todos que não andassem sozinhos pelas ruas, pois era perigoso. Como curtir uma cidade assombrada dessas? Feia demais, aparentemente perigosa demais. E olha, é difícil eu não curtir uma cidade.

...
Uma última coisa para dizer: em ambos os congressos eu conhecia algumas pessoas. Em ambos, eu ri o tempo todo. Em Campinas, rimos exageradamente. Todo mundo fica mais engraçado em congressos. Os comportamentos de congresso sempre bombam! Precisamos escrever um artigo sobre isso.

terça-feira, agosto 23, 2005

Agora que sou especialista em transporte: a solução

Quem mora em São Paulo reconhece a necessidade de um bom sistema de transporte. São Paulo tem as veias entupidas de carros e pessoas. Todos precisam se mover: pessoas paradas não fazem cidade.

Agora que sou especialista em ficar horas do meu dia me transportando de um lado para o outro em ônibus e metrô, tenho autoridade para falar sobre o assunto, ou pelo menos para falar sobre o ônibus que pego. E é por isso que vou começar falando do metrô.

Olha, vou dizer para vocês, o metrô de São Paulo é fantástico. É fantástico. É realmente absolutamente fantástico! Estou entrando e saindo deles pelo menos três vezes por semana e a cada dia eu noto mais uma característica que o torna fantástico. Não sei se é caro... comparado com o ônibus, é R$0,10 mais caro: a passagem é R$2,10. Mas vale a pena, ô se vale!

Ao contrário dos ônibus, você anda quase São Paulo inteira de metrô sem precisar gastar qualquer centavo a mais do que o preço do bilhete. Pode ficar fazendo baldeação (sair de uma linha e entrar na outra) o dia inteiro se você quiser. E olha que vale a pena conhecer as estações!

O metrô em São Paulo é rápido, é limpo e é seguro. Ele tem, sim, um defeito: é cheio. Mas é cheio porque ninguém em São Paulo usa camisinha, não por culpa do metrô. Os trens seguem um ao outro por um tempo quase mínimo, o que significa que deve ser impossível colocar mais trens: causaria acidentes, imagino. Abstraindo a quantidade imensa de pessoas, o metrô é bastante confortável.

Falando agora da arquitetura do metrô. Bom, as estações não mudam muito de uma para a outra. Grandes blocos de concreto cinza, com uma corzinha aqui, outra ali. Mas não é feio. Antes disso, é colossal! As estações são monumentos ao gigantismo humano! Vendo uma, a boca já abre impressionada. Quando é lembrado que existem várias estações igualmente fabulosas, a baba cai em abundância. E os trilhos! Cortam São Paulo quilômetros e quilômetros de metal para o bem da cidade. É uma cicatriz positiva, gosto de brincar!

Falando de ônibus, cada vez mais avenidas têm corredores especiais para eles. Eles andam mais rápido do que antes, mas ainda são lentos. Assim como no caso das cheias do metrô, o problema é a quantidade absurda de carros, eles são mais do que a cidade pode suportar adequadamente. Culpa de quem não sua camisinha, mais uma vez. Ainda que haja problemas, o sistema de ônibus também me parece satisfatório. Não posso falar muito, pois utilizo duas linhas apenas...

A solução para os problemas do transporte urbano vocês já devem ter deduzido: camisinha!

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Só para encumpridar o texto, deixe eu falar quatro coisas:

1- Estou curtindo essa cidade maluca! Mais do que eu pensei! Isso é ótimo!
2- Estou querendo aprender alguma coisa sobre urbanismo. Mas não tenho tempo. Isso não é ótimo!
3- Desde que soube do Mercado em Floripa, só consigo dizer: "que merda!"
4- Amanhã estou indo para Águas de Lindóia (congresso) e de lá, na quinta, vou para Campinas (congresso). Então, boa viagem para mim.

quinta-feira, agosto 18, 2005

Avenidas

Tem todas essas avenidas
A necessidade de caminhar por elas
O medo de algumas
Ojeriza de outras
Desejo por tantas avenidas

Curvas bruscas, é sempre incerto
A multidão vai se diluindo
Apenas um caminhante trafega
As pegadas fazem lembrar
Mas caminhar é para frente

Par de sapatos extra
Mochila com comida para dias
Parece um desfile a paranóia
Grandes mochilas para os fracos
O passo do dia é alimento

Para sempre a constante impressão
De que tudo melhora na curva

sexta-feira, agosto 12, 2005

Você tem amigos lá

"Relaxa, você tem amigos lá" era o que o meu terapeuta* sempre dizia para me acalmar quando eu reclamava sobre minha mudança para São Paulo.

Ele estava certo. Eu tenho amigos aqui. Já fiz festa, estou jogando RPG, encontrando pessoas que ainda não tinha visto e tenho vários programas agendados.

Mas o que interessa mesmo é o dia de hoje:

1- Duas horas para chegar na USP (ônibus-metrô-ônibus).
2- Aula na USP, em um curso que entrei de penetra. Aula comum, nada novo, mas com muita mulher bonita (parecia até Floripa, minha gente). Já tive a sorte (ou azar) de ser convidado para fazer um papel teatral para a sala toda.
3- Conversei com algumas pessoas da turma e pensei comigo "bem que eu podia ter uma oportunidade de conversar com aquela mulher linda".
4- Aquela mulher linda tomou o mesmo ônibus que eu e fui obrigado a conversar com ela. Um dia eu pretendo descer no mesmo ponto que ela.
5- Decidi inovar e ao invés de pegar ônibus-metrô-ônibus para voltar para casa, decidi tentar pegar apenas ônibus-ônibus.
6- Nunca mais pego só dois ônibus. Demorei três horas e meia para chegar em casa. Pelo menos conheci São Paulo inteira, o ônibus me ajudou a fazê-lo.
7 e mais importante:
No buso para cá encontrei um amigo que me deu a melhor notícia até agora:
Eles estão jogando futebol! Eu disse: FUTEBOL! Sim, eu vou voltar a jogar FUTEBOL de domingo. Eu tenho amigos aqui, e eles jogam FUTEBOL!

Parece bobo? É a melhor notícia até agora, só podendo ser superada pelo convite da linda do ônibus para que eu desça no mesmo local que ela.

* eu mesmo

quarta-feira, agosto 10, 2005

vini vidi Vixxiii

Finalmente consegui ir à USP, falar com minha possível orientadora e acertar as coisas. Vou fazer aula como aluno ouvinte, crétidos que depois posso recuperar. Além disso, participarei de algumas reuniões no laboratório dela e verei, na faixa, algumas aulas do curso de especialização em terapia comportamental. Sexta volto lá para este curso, das 13:00h às 17:00h; tópico: habilidades sociais.

As melhores notícias, porém, foram:

1- Abrirá vaga pro mestrado no ano que vem, uma no primeiro semestre e outra no segundo.
2- É necessário confirmar, mas parece poder usar dicionário na prova de inglês.
3- Vou ter que estudar muito para aprofundar, mas o conteúdo da prova teórica não é novo para mim.

De repente, meu horário de atividades passou de zero para um bocado. Porém, ainda tenho bastante tempo para estudar e posso me organizar para ler em horários que permitam um estágio, que seja, em qualquer lugar. Portanto, contratem-me.

Também faço massagens.

domingo, agosto 07, 2005

No meio do mundo

Sábado eu fui ao estádio do Pacaembu ver o melhor time do mundo (Corinthians, de acordo com milhões de brasileiros, incluindo eu) contra o melhor time do mundo (São Caetano, segundo pouco mais de mil brasileiros). Fiquei bem no centro da torcida "Gaviões da Fiel". Já tinha visto jogos antes, mas nunca junto à torcidas organizadas.

Descobri que torcidas organizadas são um organismo complexo influindo diretamente no jogo e, por incrível que pareça, são apenas semi-dependente do que acontece em campo. O resto do estádio pode estar gritando azul, não importa; o time pode estar perdendo, não importa; uma torcida organizada vai gritar seus gritos, mesmo que estes forem contrários ao resto do mundo.

É muito bacana estar no centro de uma torcida. Lá dentro convivem todas as classes sociais, idades, tamanhos e modelos de humanos. É um mini mundo governado pela bateria, cujos habitantes obedientes cantam em uníssono. Raras vezes um grupo de esquerda tenta gritar, mas é brutalmente calado pelo berro da esmagadora maioria e, principalmente, pelo poder repressor da bateria. Parece brincadeira? Vá a um jogo e depois me diga.

O futebol dá mais dinheiro do que se imagina. Não apenas para jogadores e cartolas, mas também para pessoas não relacionadas ao esporte. Na frente do estádio, enfileiram-se dezenas de barracas de lanches, cambistas, olhadores de carros, vendedores ambulantes, Bin Ladens (sim, há uma porção deles) e policiais fazendo pose mal. Todos esses, com exceção dos Bin Ladens, faturam uma grana em dias de jogo. Os que mais faturam são os policiais, com os subornos pedidos aos cambistas.

Ah, o jogo... Bom, 2 a 0 pro time das poucas pessoas. Zebras acontecem, né?

Em breve, notícias supimpas.

terça-feira, agosto 02, 2005

Ok

Uma boa notícia: reunião na USP, terça que vem, às 16:00h.

segunda-feira, agosto 01, 2005

A porcaria da incerteza

Faz nove dias que estou em sampa, e até agora nada está definido.

Estou sendo chato para entrar na USP, tendo que derrubar a porta, pois parece que não querem abri-la para mim. Vou continuar insistindo, mas não estou gostando das perspectivas. Sou da opinião de que enquanto não me conhecerem, não têm moral para me recusarem. Então, continuo chutando a porta até que me deixem passar uma semana lá.

Ainda bem que tenho amigos aqui, ainda que não estejamos com interesses tão parecidos quanto tínhamos antes. Eles ajudam.

O triste é estar inteiramente sem dinheiro. Não posso fazer nada, pois tenho que economizar horrivelmente. Estou mais ou menos preso dentro de casa. Prefiro isso a ficar pedindo dinheiro aos meus pais. Por outro lado, é um pouco agoniante ficar em casa o dia todo.

Esse cenário todo me deixa um pouco para baixo. Nada insuportável. Acho que sempre é assim comigo, de toda forma. Daqui a pouco eu fico com raiva e faço tudo dar certo.