quarta-feira, junho 29, 2005

Agora tudo foi para o nada

Vejam só que maravilha!

Não bastasse meu probleminha com aquela ansiedade já desfeita, acabo de receber uma notícia de encher os olhos de contentamento!

Vocês acreditam que o principal motivo de eu ir para São Paulo acaba de se transformar em nada?

Não serão abertas vagas de mestrado para o ano que vem. Só vão abrir para 2007. A orientadora com quem conversei me afirmou que ela só terá vagas em 2007. O mais bacana é que há uma seleção de mestrado que começa em agosto, mas eu não posso participar porque não tenho um dos pré-requisitos, que é um período de estágio com o orientador.

Eba! Não é legal?!

Isso significa que vou para São Paulo sem perspectivas e sem emprego! Viva!

Mas eu não sou maluco! Quer dizer, eu sou maluco! Eu vou virar essa merda desse Brasil de pernas para o ar, mas eu vou pensar em uma solução.

Nem que seja a mais provável e horrível delas: ser aluno especial na USP até o fim de 2006 e começar o mestrado apenas em 2007.

Acabo de adiantar minha ida para São Paulo para o dia 23 de julho. Pretendo dar uma passada na UFSCar antes de chegar agosto.

segunda-feira, junho 27, 2005

Jaz, a ansiedade

Eu tinha uma ansiedade. Daquelas que começam roucas e pequenas e vão crescendo e gritando conforme aumenta a aproximação do acontecimento que não se sabe. Minha ansiedadezinha estava se transformando em um monstro, engolindo meus pensamentos em mordidas cada vez mais fundas.

Considerei-me perdido, vencido. Ontem, porém, um telefonema do além deu um golpe certeiro no coração da ansiedade. Agora, morta, não me preocupa mais.

Há duas maneiras de se acabar com um monstro ansiedade. A primeira delas é a maravilha de tudo sair como se espera. A outra é mostrando que nada do que se espera vai de fato acontecer. Segue-se felicidade da primeira; à segunda segue-se tristeza.

Mas...
A ansiedade é enorme perto dela, muito mais assustadora. A tristeza passa rápido. O tempo, meus amigos, realmente cura.

sábado, junho 25, 2005

O dia em que vou embora

Comecei a contagem regressiva.

Sabendo que vou embora no dia 30 de julho, e hoje é dia 25 de junho...

Faltam 35 dias para acabar o melhor período da minha vida.

quinta-feira, junho 23, 2005

Saúde

Saúde a todos.

São os votos de Robson Brino Faggiani.

quarta-feira, junho 22, 2005

Para uma motivação à verdade

A verdade é a areia nos olhos de todos. Sendo grãos, sendo nuvem, é a cegueira fragmentada à realidade, isto é, o que se esconde na palavra própria: a mentira é olhos de outros.

A verdade está entranhada na leitura do parágrafo acima, e não no parágrafo acima. Esta é a verdade.

Portanto, é fácil. Você é; melhor, você está; ainda melhor: não acredite em mim.

terça-feira, junho 21, 2005

Está aberta a temporada de Solidão

O inverno intensifica as angústias. Ontem, pela primeira vez no ano, eu me senti sozinho. É verdade que estou sozinho desde o início do ano; o sentimento, ainda assim, só apareceu ontem.

Veio vindo das fotos que coloquei nas paredes do quarto, que me lembravam sem descanso que em menos de 50 dias vou embora da ilha; espalhou-se por aquele sorriso bobo em uma foto específica e finalmente transbordou para a realidade do meu corpo encolhido de frio.

Estou realmente sozinho. Por escolha, ainda bem, por saber que é preciso ir embora. Ter escolhido minha condição ameniza o sentimento. De qualquer forma, ele continua existindo.

E a saudade, ah, ela já começou a tecer uma teia nos meus olhos.

quarta-feira, junho 15, 2005

Estatística

No meu currículo de graduação desponta um "10" em estatística. Uau, vocês dizem, esse cara manja de estatística!

Que nada, minha gente!

Eu sou um tosco em estatística. Só sei o que é média e olhe lá! Uau, ele sabe o que é média...

Estou sofrendo por causa disso. Peguei alguns livros, mas eles não me ajudam. Quer dizer, até estão dando uma mãozinha, mas AINDA não estou aprendendo.

Uau, ele não aprende estatística!

Calma, calma. Primeiro um pé, depois o outro.

segunda-feira, junho 13, 2005

A Calada da Existência

Pode-se dizer que tenho sido um bom rapaz. Tenho tomado banho todos os dias, escovado os dentes, trabalhado bastante e me divertido não mais do que o suficiente (diversão, afinal, é pecado). Tenho, mais do que tudo, estudado. Estudar, para mim, é trabalhar.

Quando se trabalha muito, a cabeça não fica vazia e a vida passa sem que você perceba. Um dia come o outro e já se está na virada do mês. Não é assim que gosto.

Gosto da existência barulhenta, gritando lenta todos os dias. Gosto de tentar desvendar o doloroso mistério de cada segundo, de sentir a pressão da vida esmagando meus pensamentos. Gosto de sentir meus pensamentos empurrando as dúvidas com respostas criativas; adoro a sensação de vencer a falta de sentido.

Trabalhando, não tenho nada disso. A vida é fácil demais.

Prefiro a dor dos sentidos e sensações à dor estriada dos pensamentos ordenados.

quarta-feira, junho 08, 2005

O que gosto mais

Ao contrário do gosto de muitas pessoas, eu...

* Gosto de mulheres porque elas sabem cantar com voz aguda.
* Gosto das músicas do Chico Buarque porque ele gosta de jogar futebol.
* Gosto de ler livros de literatura porque eles têm palavras à vontade.
* Gosto de caminhar porque dessa forma desafio Deus a me atirar um raio.
* Gosto da Psicologia porque o curso é recheado de mulheres.
* Gosto de Florianópolis porque a cidade é recheada de mulheres.
* Gosto de São Paulo porque posso desafiar Deus a me derrubar do arranha-céu.
* Gosto de ciência porque gosto de ver escritos com palavras limitadas.
* Gosto de ver filmes porque no fim tem uma tela preta e uma música bacana.
* Gosto de dirigir à noite porque não preciso parar no semáforo.
* Gosto dos meus amigos porque eles têm maneiras engraçadas de rir.
* Gosto de escrever porque não gosto de parar.

segunda-feira, junho 06, 2005

Em direção às palavras éticas

Em breve eu deixarei esta cadeira
e caminharei sob a noite serena
em direção às palavras éticas.
Receberei amigos com abraços
e juntos, abraçados, iremos
em direção às palavras éticas.
Daremos adeus ao desconforto
e agradeceremos a possibilidade de ir
em direção às palavras éticas.
A confusão do mundo esvaece
e a beleza salta aos olhos quando vou
em direção às palavras éticas.
Já não tenho dúvidas ou aflições
e só amor darei a quem me acompanhar
em direção às palavras éticas.


PS: Aula de ética às 18:30. Pura arte.

Caraca!

Ói que é coisa para escrever.

Esse negócio de adiantar um semestre acaba com a gente.

Tô lendo pra escrever. Ou escrevendo pra valer. Sei lá.

sexta-feira, junho 03, 2005

Ser massa

Os cobradores e motoristas fizeram greve. A tarifa do ônibus aumentou. Os estudantes protestaram. Inocentes foram presos.

Na terça-feira, três estudantes foram presos durante a manifestação na frente do Terminal do Centro. Uma delas, aluna de Psicologia da terceira fase. Na quinta-feira, num segundo ato de protesto, 22 estudantes foram presos depois de terem sido atacados, a exemplo da terça, com balas de borracha e gás de efeito moral.

Não vou dizer ingenuamente que o movimento estudantil tenha sido todo feito pacificamente. Eu não estava lá para afirmar isso. O que sei por certo é que estudantes foram feridos e presos, e não houve divulgação de nenhum policial ferido. Dos 22 estudantes presos, 6 eram menores e foram liberados. Os outros 16 foram trancados em uma delegacia da polícia civil.

Uma das garotas presas é minha amiga, estudante da primeira fase de Psicologia e ex-namorada de um amigão meu, que mora comigo. Ele ligou em casa explicando a situação e pedindo que fôssemos para a frente da delegacia, exigir a liberação da garota e dos seus 15 colegas.

Eu conheço a garota, não os outros 15, e posso dizer que ela é o tipo de pessoa que não faria mal a uma mosca. Estava sendo autuada por formação de quadrilha e utilização de violência, que pode ser traduzido assim: estava protestando pelo aumento absurdo da passagem de ônibus.

Havia poucos estudantes no centro e eu, iniciante em movimentos de rua, calei-me e garanti minha participação apenas com a minha presença. Estar lá no meio do povo protestando o transforma imediatamente em massa de manobra das pessoas que falam. Os que falam são de dois tipos: os que têm informação e os que gostam de falar merda. O problema é que eles não são facilmente classificados e, por falta de informação, você acaba seguindo as indicações dadas. Você se torna um peão.

Decidi continuar lá, mesmo sabendo do pequeno papel que exercia dentro da massa, por causa do papel maior que havia para além da massa. Exigíamos, afinal, a libertação de 16 pessoas que poderiam ser nós mesmos caso estivéssemos no lugar errado na hora errada. E mais, 16 estudantes que exerciam direito constitucional.

Depara-se com muita putaria e muita beleza em movimentos como esse. A beleza está na ação das pessoas preocupadas, na união imediata e empatia que todos tiveram com os chorosos pais das 16 vítimas e na vontade de mostrar que a voz estudantil pode estar rouca, mas ainda pode ser ouvida. A putaria fica por conta de aproveitadores políticos, que utilizam movimentos como esse para realizar propaganda partidária, e de agitadores que pouco se preocupavam com a situação de fato.

A OAB se prontificou a falar com o juiz responsável pelo caso, na tentativa de pressioná-lo a emitir a inocência dos estudantes. Depois de horas de negociação, e TALVEZ em parte pelo movimento pacífico que fizemos em frente à delegacia, o juiz emitiu uma tal de "carta de relaxamento", a partir da qual os estudantes poderiam ser libertados mediante o pagamento da fiança de R$1500,00 cada. Claro que os advogados estavam tentando recorrer, mas o final da novela não pôde ser visto, pois os estudantes foram transportados da prisão temporária para outro local, possivelmente o fórum ou alguma dependência "sossegada" do presídio no Estreito.

Algumas pessoas tiveram permissão para falar com os estudantes e voltaram noticiando que estavam todos sendo tratados bem, mas com muito medo de irem para o presídio. Segundo o relato, as 4 garotas presas estavam chorando demais, inconformadas com a prisão injusta a qual foram submetidas. Os 16 pediam também que não entrássemos, sob nenhuma condição, em confronto direto com a polícia. Estavam tranqüilos com a idéia de serem transferidos para o presídio. Do lado de fora, nós nos lamentávamos por termos que testemunhar essa falta de respeito aos direitos do cidadão.

Eu não sou a melhor pessoa para falar de política, nem tampouco represento bem o movimento estudantil, pois nada faço para ajudar seu progresso, atrevo-me a dizer, de qualquer modo, que o protesto é ainda uma arma importante do povo na defesa dos seus ideais e que o ato repressivo acionado pelo governo foi anti-constitucional e anti-ético. É triste ver tão pouca participação e é triste saber que mesmo eu provavelmente vou ficar ausente de futuras aglomerações. Estou ausente agora mesmo, pois enquanto escrevo, meus colegas estão no centro exigindo que as tarifas dos ônibus voltem ao preço anterior, que já era injusto.

Os protestos, ainda que importantes, não têm a força que tinham. O governo conseguiu calar o povo. Eu sou povo calado. Minha garganta, porém, está pegando fogo. Não quero me aliviar gritando nas ruas, quero ajudar de outro modo. Tenho vergonha de não ter começado.

quinta-feira, junho 02, 2005

Com a buzudanga do seu amnirilo

Com a buzudanga do seu amnirilo, eu gostaria de lhes pedir atenção.

Vi chocantes cenas acontecendo diante dos meus olhos abertos. Juro que vi. Tudo na mesma tarde, o que me faz desconfiar de certo sarcasmo transcendental... se houvesse tal coisa.

Vinha pensando no fato assustador de que a maior diferença de uma idéia em relação à outra é o quanto amamos cada uma delas. As idéias, descobri, são sobretudo diferenciadas pela quantidade de pessoas apaixonadas por elas. Verdade, validade, funcionalidade, ducaralioidade, não importam. Até porque são, no fundo, também idéias necessitando de amor.

Era nisso que estava pensando quando a menina bateu no irmão menor. Logo vi na mão do menino dois doces e na mão da menina, nenhum. A mãe brigou com a filha por ela ter batido no pobrezinho do ladrão. O ladrão ficou com o doce da vítima para ela aprender a não se defender mais. O futuro dos dois vocês imaginam: um vai ser o corrupto no poder, a outra o rebanho conformado.

Pouco depois, no centro da cidade, um dos profetas da rua alertava as pessoas para olharem para o céu. "Mais um religioso maluco" pensei. Eu estava errado. O profeta, que era na verdade um paranóico, queria alertar as pessoas para a possibilidade de que algo caísse do espaço em suas cabeças. Não um raio divino, e sim algo muito mais concreto, como uma lata de refrigerante de algum astronauta porcalhão.

O que me deixou boquiaberto mesmo foi um cachorro todo cinza, com pêlos curtos e olhar bonachão. Trafegava em meio as pessoas como um carioca da gema pisando propositadamente em ovos. Andava abanando o rabo no gingado de um samba que diz "malandro é malandro, mané é mané, diz aí, podes crer que é". Fui obrigado a seguir o cachorro furtivamente. O danado foi até uma padaria, onde o esperavam com um pãozinho. Logo depois foi até outra onde o esperavam com uma mortadela. Ele cortou o pão, colocou a mortadela dentro e ofereceu para uma cadela, à qual depois comeu.

E continuava eu pensando que uma idéia é igual a outra, igual igual. Só muda mesmo é a paixão.

Texto de Guto Cima. Retirado de http://querfalar.blogspot.com

A idade relativa do ser

Sempre tive claro para mim que minha idade real é menor do que minha idade corporal. Quanto meu corpo tinha 14 anos, por exemplo, eu devia ter na realidade uns 10. Aos 20, eu já tinha 17. Agora que estou na beira dos 25, regredi para uns 21 anos.

É assim, mas estou mudando. Percebo que quando eu chegar aos 39 anos de idade corporal, vou ter na realidade 44 anos ou mais. Vai entender... Só sei que é assim.

Tem um episódio interessante que os psicanalistas iriam adorar. Eu só tomei consciência aos 5 anos. Minha memória sempre foi ruim, mas qualquer lembrança minha existe apenas a partir deste momento. Eu lembro exatamente do dia em que tomei consciência e comecei a fazer perguntas. A impressão que tenho é que até antes disso eu reagia como um computador ao meio ambiente.

Besteiras interessantes, mas besteiras.