terça-feira, maio 03, 2005

Registro do caso "Registro"

Moro com cinco pessoas. Comigo, seis ao todo. Todos, infelizmente, homens. Todos, felizmente, boa gente. Todos confiantes de suas capacidades. Preparados para a formação, que está próxima. Empolgados com as possibilidades. Atentos aos acontecimentos. Planejadores. Festeiros. Estudiosos. Todos ridiculamente vencidos por um episódio desconcertante...

Eu me mudei para a casa onde moramos em janeiro, dia 21. Uma das primeiras coisas que notei foi o impotente fluxo de água das torneiras da cozinha. Sim, há duas, uma ao lado da outra. O caso era tão grave que todos os visitantes perguntavam qual era o problema com as torneiras. "Elas são assim", dizíamos fatalistas e conformados.

Um dos nossos companheiros de casa resolveu, por bem, que uma torneira deveria ocupar o lugar da outra. Fechou o registro, trocou as torneiras de lugar com estrondoso sucesso. E, claro, abriu o registro...

Eu fui o primeiro a notar, quando fui lavar um copo. Todos estavam na sala contígua, jogando Banco Imobiliário, xingando um ao outro de ladrão. Fui até a porta da cozinha e perguntei entre tímido e desesperado:

-- Vai me dizer que o fluxo da torneira era fraco porque o registro não estava todo aberto?

Entreolharam-se. Xingaram a maldita vida. Perceberam seu erro, seu fatalismo, seu conformismo. Futuros psicólogos, treinados para lidar com os problemas, modificá-los, encontrar suas razões... derrotados por um registro não verificado.

Naquele dia, fizemos a festa da torneira.

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