segunda-feira, maio 30, 2005

Uma vez eu amei

UMA VEZ EU AMEI

Eu cri
Não apenas no momento
Cri na eternidade do sentimento
No para sempre efêmero do contato
Cri que era real o fato

Eu vi
Quando sumiu de repente
Vi meus olhos fechando dormentes
Meu crer despencar num segundo
Vi chorando o caído mundo

Eu senti
Todo o peso da crença
Senti em cada passo a penitência
O momento se aproximando do horror
Senti partir-se o amor

Eu vivi
Uma vez eu amei
Vivi o amor e sem amor viverei
Uma força nova desenvolvendo em mim
Vivi e jamais terei fim

Em uma segunda

Depressão pós-gozo. Semelhante à pós-parto.

O cara sai de um feriado divertido, em que riu pracaraio, festou pracaraio, jogou um futiba, tomou uma breja, não estudou, falou com amigos... e cai direto em uma segunda-feira de obrigações!

O sentimento não é novo, nem é primeira nem última vez que mostra as caras, mas é um saco de todo modo. A segunda-feira acaba só na sexta à noite. Até lá... é só esmaga-dedo.

sábado, maio 28, 2005

Ameno

Sob um dia ameno
Despertar os olhos
Lembra a vida um tempo,
Um templo
De prazer demais.

Pedras gastas
Nas paredes esquecidas
Adormecem os olhos,
Sob o dia a menos,
Amenos demais.

terça-feira, maio 24, 2005

Cozinha acidental

Cheio de confiança, o aprendiz de cozinheiro decide inovar. Mais ou menos. E dá certo.

Para começar, um básico feijão. Seguindo a receita universitária, cozinhar um terço de um pacote de 1kg e congelar para a semana toda. Para dar sabor, corte bacon, calabresa e cebola. Refogue e jogue no feijão. Tempere com sal, pimenta do reino e alecrim a gosto. Sinta o cheiro delicioso. Feche a panela de pressão e espere a magia.

Depois de 1 hora tire a panela do fogo, suma com a pressão e verifique nível de água. Adapte tudo para que o caldo fique com a grossura da sua preferência.

Arroz é fácil. Pouco óleo, muito arroz, açafrão da terra, pimenta do reino, sal e espere a magia acontecer. Não esqueça da água.

Até aí nada novo, tudo fácil. Para acompanhar, frango. Frango como? Pois é, eu também como, mas como?

Não tem pimentão, só cebola e tomate. Dá para fingir um frango xadrez. Mas nada de fazer na frigideira como sempre, pois fica sem caldo. Fazer em panela mesmo, pela primeira vez.
Isso. Nada de fritar em óleo. Frita na manteiga. Quer dizer, margarina. Coloca quanto? Ah, um monte. Pronto.
Frango em cubos, já temperados, para dentro da panela, junto com cebola. Agora shoyu. Quanto? Sei lá, vai colocando. Mais? Mais. Você quer ver os tomates? Não... Então não espera, coloca agora que eles secam.
Tá uma cor estranha. O que fazer? Coloca mais shoyu. Quanto mais? Vai colocando. Mas a cor está ficando mais estranha... Não interessa, coloca shoyu.
Ah, mas não está fritando, está cozinhando. Claro, malandrão, com tanto líquido vai fritar de que jeito?
Shoyu com manteiga? Será que vai dar certo? O cheiro é bom. Pronto, os vegetais liberaram aquele caldinho maneiro. Está cozinhando mesmo. Frango com manteiga. Quer dizer, margarina.
Está pronto. Tira do fogo.

O feijão, aprovado com nota máxima. O arroz, aprovado com nota quase máxima. O frango, um momento de tensão
MAIS DO QUE APROVADO!
É isso aí!
Frango com margarina, shoyu, cebola e tomate, temperado com sal, pimenta e manjericão. Uma comida acidental que deu certo.

Experimente! Não modere. Vá colocando shoyu.

Em breve, mais cozinha acidental.

segunda-feira, maio 23, 2005

Preconceito

Eu confesso: eu sou um preconceituoso. Estou passando por uma lavagem cerebral de linguagem científica e deixando de lado qualquer coisa que não se encaixe nisso. Devo dizer, em minha defesa, que pelo menos meu cérebro está ficando bem limpinho, longe de toda aquela bagunça acientífica.

Daí, tinha o psicótico que pegava do chão papéis que forram cigarro e escrevia neles frases biblícas. Em seguida, distribuía-os no metrô. E todos jogavam os papéis fora, essa gente... Segundo a psicanalista que descreveu o caso, o psicótico apresentava um sintoma típico de dualidade ao unir dois absolutos, o sagrado e o profano.

A pergunta que não quer calar: Quem disse que um é sagrado e outro profano, o sujeito ou a interpretação da psicanalista? Quem criou a dualidade?

Responda corretamente e ganhe um psicanalista totalmente grátis.

sexta-feira, maio 20, 2005

O fim das Olimpsíadas

Olimpsíadas são os jogos anuais da Psicologia da UFSC. Todo ano tem.

Este ano já teve um fracasso: a primeira tentativa de realizar as Olimpsíadas falhou. Digo primeira tentativa porque o ano está em maio, talvez alguma alma faça bonito semestre que vem.

Conversando com veteranos-que-fazem, chegamos à conclusão de que as Olimpsíadas acabaram porque não se modernizaram. Visto que desde o ano de seu surgimento até hoje muita coisa já aconteceu e muitas patys, boyzinhos e esquisitinhos entraram no curso, criamos novas modalidades psiolímpicas. Dessa forma, garantiremos a perpetuação do evento. Vamos às principais modalidades.

** Competição de STEP: ganha a fresquinha que ficar mais tempo fazendo STEP.
** Competição de SUPINO: ganha o bananão que levantar mais peso por mais tempo.
** Competição de DANÇA: ganha o monstrinho que pular mais desafinadamente.

E, é claro, o carro chefe da competição, a modalidade mais afim com os novos estudantes de Psicologia:
** Competição de BABA: ganha quem parar de babar mais rápido. Obs: teme-se que não haja vencedor.

Para os que ficam e os que se empolgam, sigam essas dicas. As Olimpsíadas vão ser um sucesso.


PS: não é porque não está escrito que não está subentendido que as últimas Olimpsíadas, a da competição desmedida e falta de amizade, estejam isentas de qualquer culpa.

quarta-feira, maio 18, 2005

A locadora de bairro

Tem uma locadora de bairro perto da minha casa. Digo "de bairro" porque é a área que ela abrange. Tudo bem que em Floripa não há muitas locadoras que não sejam "de bairro", mas não importa.

O cara abre às 15:00h e fecha às 22:00h. Cara esperto. Fecha às 22:00h, imagino, porque deve ser bem a hora que a novela acaba.

O cara abrir às 15:00h é genial. Tem a manhã toda para curtir a vida, não precisa pagar funcionário e pode almoçar e ainda fazer uma siesta. Não sei se ele estuda, se tem outro trabalho ou se tem preocupação em ir além de uma locadora. O que importa é a idéia que passa: abro às 15:00h, nada devo a ninguém e vivo uma vida massa.

Os sedentos diriam que ele está dando mole. Devia contratar um funcionário, expandir o negócio, abrir de manhã, fechar mais tarde. Vão às favas! O lance é qualidade de vida. Se o cara come bem, come bem e dorme bem, já está bacana! Ele não está prejudicando ninguém, está prestando um serviço bacana e está feliz.

Cara, eu vou largar tudo um dia e vou abrir uma locadora das 15:00h às 22:00h, bem a hora que acaba a merda da novela. Daí vou para minha casa, que fica a três passos da locadora e comer bem, comer bem e dormir bem. De manhã eu invento textos e leio uns livros bacanas. E isto, meus amigos, é a felicidade.

terça-feira, maio 17, 2005

Três, Dois, Um...

Eu estou, tu estás, ele está, nós estamos de saco cheio. Amém.

O mundo está acabando e só você não acredita nisso. Você acha que o exagerado apreço pela estética é bonito? Você acha que achar tudo verdade e tudo mentira e tudo igual é bacana? Você acha pessoas falando sabendo o que falam? Você acha que valores são desnecessários e que um Estado "deixe viver" é a solução? Você acha alguma coisa estúpida quando liga a luz do banheiro e encara o espelho?

Eu respondo "não".

Três
Dois
Um

segunda-feira, maio 16, 2005

Jack, the end

Muitos de vocês tiveram a oportunidade de acompanhar as histórias do hamster Jack. Ele era o animal de estimação do Cabeleira, guri que morava comigo. Muitos de vocês se emocionaram com a história da luta de Jack contra o gato, com sua trajetória de pai que perdeu a família...

Agora Jack está morto. Morreu de velhice, o mais fenomenal dos hamsters dourados.

Saudade dele. De verdade.

quinta-feira, maio 12, 2005

Cansado e correndo

Não sou nenhuma novidade. As pessoas descobriram uma maneira especial de dizer que precisam de atenção, mas que não podem conversar neste momento.

Está todo mundo cansado e correndo. Basta perguntar para qualquer pessoa que anda pela UFSC. "Como está?". "Cansado e correndo" ou "aquela correria, sabe?".

Bom, saber eu sei, afinal, também estou cansado e correndo. Mas mesmo quem está assim, precisando de descanso, é capaz de perceber que a maioria dos motivos do cansaço e da correria são escolhidos. Não reclama, então! "Mas é legal reclamar...". Então reclama!

Ano que vem será 2006, e depois 2007
E assim vai
Desesperadamente, até que acabem os ano do mundo

Se bem que no final do mundo o tempo já não será medido em anos. Creio que nem medido será. Os dinossauros já eram e um dia chega a nossa vez. hehehe. Etéreo fim.

E o mundo, como vai? Deve estar cansado. E morrendo.

terça-feira, maio 10, 2005

Pai, Mãe, olha o que eu fiz

A natureza é uma bandida.

Fazer filhos é fácil e às vezes, uia, os dois gozam. É uma foda.

Cuidar de filhos, porém, ah, aí é que é foda de verdade.

Camisinha dá em árvores dos postos de saúde.

Ah, antes que alguém possa pensar besteira, continuo sozinho e sem filhos.

quinta-feira, maio 05, 2005

Chutar o cu do Adílson

"Chutar o cu do Adílson" é uma expressão que merece ser propagada pelos cem bilhões de neurônios de todas as pessoas do mundo. Significa "ficar absurdamente bêbado".

A expressão surgiu de pessoas da Psicologia. Uma pessoa, na realidade, que não é eu, mas que conheço.

O cidadão estudante de Psicologia caminhava absurdamente bêbado em direção à Festa da ESAG. Estava acompanhado por vários amigos quase que tão absurdamente bêbados quanto ele. Caminhavam com caras de maus, pois pessoas bêbadas andando juntas ou fazem cara de mau ou de idiotas.

Na frente do grupo de bêbados estudantes de Psicologia, caminhava um outro grupo de bêbados desconhecidos, também com caras de maus. O cidadão psicológico absurdamente fora da consciência sã aplicou um chute artilheirístico na bunda de um embriagado nunca antes visto do grupo da frente.

No que o agredido virou para pedir satisfação, a resposta clássica saltou da boca do culpado:
"Não fui eu.
Foi sem querer".


Muitas caras de maus e pedidos de desculpas depois, os grupos seguiram sem brigas e sem maiores problemas, exceto por Adílson, que sentia uma ardência larga na região posterior.

terça-feira, maio 03, 2005

Registro do caso "Registro"

Moro com cinco pessoas. Comigo, seis ao todo. Todos, infelizmente, homens. Todos, felizmente, boa gente. Todos confiantes de suas capacidades. Preparados para a formação, que está próxima. Empolgados com as possibilidades. Atentos aos acontecimentos. Planejadores. Festeiros. Estudiosos. Todos ridiculamente vencidos por um episódio desconcertante...

Eu me mudei para a casa onde moramos em janeiro, dia 21. Uma das primeiras coisas que notei foi o impotente fluxo de água das torneiras da cozinha. Sim, há duas, uma ao lado da outra. O caso era tão grave que todos os visitantes perguntavam qual era o problema com as torneiras. "Elas são assim", dizíamos fatalistas e conformados.

Um dos nossos companheiros de casa resolveu, por bem, que uma torneira deveria ocupar o lugar da outra. Fechou o registro, trocou as torneiras de lugar com estrondoso sucesso. E, claro, abriu o registro...

Eu fui o primeiro a notar, quando fui lavar um copo. Todos estavam na sala contígua, jogando Banco Imobiliário, xingando um ao outro de ladrão. Fui até a porta da cozinha e perguntei entre tímido e desesperado:

-- Vai me dizer que o fluxo da torneira era fraco porque o registro não estava todo aberto?

Entreolharam-se. Xingaram a maldita vida. Perceberam seu erro, seu fatalismo, seu conformismo. Futuros psicólogos, treinados para lidar com os problemas, modificá-los, encontrar suas razões... derrotados por um registro não verificado.

Naquele dia, fizemos a festa da torneira.