Quando os olhos procuram
Se eu ganhasse dinheiro pela minha verdadeira profissão, eu ficaria rico. Minha verdadeira profissão, para quem não sabe, é procurar respostas (para as Grandes Questões).
Os pragmatistas dizem que uma afirmação vale mais do que a outra se permite melhores conseqüências práticas. Desse modo, a verdade não importa realmente. A solução pragmática de não procurar respostas para as Grandes Questões é uma boa solução. Mas às vezes o mundo salta aos olhos de maneira mais chamativa, tornando inevitável pensar sobre o que é tudo isso que respiramos, e sobre o que é não respirar.
Por vezes, parece-me ridiculamente igual estudar para ser um bom moço e sair por aí quebrando tudo da pior forma possível. Igual porque o fim é igual e os caminhos são relativos. Quando os olhos procuram, eles encontram a verdade de que valores são tão arbitrários e efêmeros quanto a vida.
As Grandes Questões têm tantas respostas quanto a imaginação permite. O problema não é escolher uma entre todas. Isso é possível. O problema é saber que isso é uma escolha (ou uma imposição) e não uma resposta fidedigna. Devido a esse fato, tudo que existe aparece um pouco gasto e um pouco chato.
Por que diabos levantar às 4:30h para ir ao outro lado da cidade em busca de um conhecimento que inevitavelmente vai me proporcionar pouca grana? Por que ao invés disso eu não vou até o malandro mais próximo e digo que quero me filiar ao partido que vai dominar o Brasil muito em breve?
Eu sei por quê. Porque eu aprendi a ir ao outro lado da cidade! Por isso: porque eu aprendi. E quando digo isso, afirmo também que o malandro aprendeu, e que você aprendeu, seja lá qual o seu caminho. E assim deixo subentendido que nem eu e nem o malandro e nem você estamos certos ou errados. Aprendi a questionar e aprendi a relatividade. E outros aprenderam outras coisas, por motivos estes ou aqueles.
A questão importante, por isso, é o que ensinar. A realidade vai ter o sabor do aprendizado e as Grandes Questões têm as respostas do aprendizado.
Nossa consciência não se rebela contra o mundo sem um acontecimento para lhe dar corda.

